Julian Assange, de 47 anos, foi preso nesta quinta-feira (11) pela polícia britânica na embaixada do Equador, em Londres, após sete anos de refúgio. O fundador do WikiLeaks foi retirado da embaixada aproximadamente às 10h35 do horário local (06h35 no horário de Brasília).

Assange não saiu por livre e espontânea vontade. O presidente equatoriano, Lenín Moreno, suspendeu o asilo concedido a Assange, alegando que ele teria violado repetidas vezes os acordos de permanência na embaixada.

A prisão está relacionada com uma acusação de “conspiração de invasão a computadores” dos Estados Unidos, conforme nota do Departamento de Justiça do país. O Ministério do Interior do Reino Unido também confirmou essa informação por meio de uma nota.

Em um vídeo publicado no Twitter, o presidente do Equador diz que Assange teria interferido em assuntos de Estado, instalado equipamentos eletrônicos não permitidos, bloqueado câmeras de segurança da Missão Equatoriana em Londres e agredido e maltratado seguranças da sede diplomática.

Moreno também disse ter solicitado ao Reino Unido a garantia de que Assange não será extraditado para um país onde passa sofrer tortura ou pena de morte e que o governo britânico concordou com as condições.

O criador do WikiLeaks foi levado para uma delegacia do centro de Londres e depois seguiu para a Corte de Magistrados de Westminster.

Julian Assange se refugiou na embaixada do Equador em Londres em junho de 2012 para escapar do pedido de extradição da Suécia, sob acusações de abuso sexual – essa investigação, no entanto, já foi arquivada. Ele se recusava a sair da embaixada equatoriana por medo de ser extraditado aos Estados Unidos, onde seria julgado por ter exposto numerosos documentos secretos do governo americano.

O WikiLeaks classificou a decisão como “ilegal” e “em violação ao direito internacional” em um tuíte. Na quarta-feira (10), o grupo havia divulgado que foi espionado durante parte do período em que ele ficou na embaixada. Segundo Kristinn Hrafnsson, editor-chefe do WikiLeaks, as informações podem ter sido entregues ao governo do presidente dos EUA, Donald Trump.

O ex-presidente do Equador, Rafael Correa, criticou a decisão ao publicar que “Lenín Moreno, nefasto presidente do Equador, demonstrou a sua miséria humana ao entregar Julian Assange à polícia britânica. Isso põe a vida de Assange em perigo e humilha o Equador”.

Ainda não está claro se Assange será extraditado para os Estados Unidos.