Em 2011, a Arábia Saudita aprovou a construção da Kingdom Tower, ainda mais alto que o atual recordista, o Burj Khalifa. Agora, está em andamento um passo crucial para a construção do novo prédio mais alto na Terra: engenheiros começaram os testes para descobrir como bombear concreto a um quilômetro de altura.

Há inúmeros desafios técnicos envolvidos na construção de uma torre com 1.000 m de altura. Um deles é a falta de elevadores adequados para um edifício tão enorme. Outro problema é o peso de uma construção desta altura.



Por algum tempo, não ouvimos mais falar sobre a Kingdom Tower, parecendo indicar que a demanda por ela havia sumido. Ela terá um custo estimado de US$ 1,23 bilhão (pouco menor que o Burj Khalifa), e será erguida na cidade litorânea de Jeddah. A estrutura terá 200 andares, 160 dos quais serão habitáveis; eles incluem um hotel Four Seasons, escritórios, apartamentos residenciais e o mais alto observatório do mundo.

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Em 2011, os planos mudaram: ela deveria ter originalmente 1,6 km de altura, mas a geologia da área não era adequada; por isso, agora a torre terá “apenas” um quilômetro. Em 2012, a empresa responsável pela torre anunciou que conseguiu todo o dinheiro para erguê-la. A construção deve levar 63 meses.

E esta semana, a empreiteira responsável pela torre anunciou que um consultor externo, a ACTS (Advanced Construction Technology Services), começou a testar os materiais necessários para a construção da torre: 500 mil m³ de concreto e 80 mil toneladas de aço.

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Há muitos motivos para este ser o primeiro item dos engenheiros. Em primeiro lugar, a fundação da torre terá 60 m de profundidade, e tem que resistir à água salgada do mar nas proximidades. Uma das principais coisas que a ACTS irá testar é a resistência de diferentes tipos de concreto – a peça mais importante deste quebra-cabeça, junto ao próprio aço.

Lá em cima, as coisas ficam mais complicadas. Para erguer cada andar, as equipes no térreo terão que bombear milhões de toneladas de concreto por meio de um tubo fino e pressurizado, com 15 cm de diâmetro, para ser usado pelas equipes lá em cima. E a gravidade, claro, não se dá muito bem com concreto molhado.

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Depois que a ACTS testar a resistência do concreto que será utilizado em Jeddah, seus engenheiros vão analisar o bombeamento – e parece que eles estarão de olho no que o Burj Khalifa fez.

Quando o Burj foi construído, ele estabeleceu um recorde para o maior bombeamento de concreto no mundo. A equipe de engenharia, liderada pela Samsung, foi capaz de bombear quase seis milhões de metros cúbicos de concreto por meio de um único tubo, graças a bombas de alta tecnologia desenvolvidas pela empresa alemã Putzmeister.

Ao longo de quase todo o projeto, os funcionários só poderão construir novos andares à noite, pois as temperaturas tornam isso impossível durante o dia.

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Sim, ainda existe a possibilidade de que a Kingdom Tower nunca seja erguida. Mas isso não importa tanto quanto você imagina: interessa, por si só, provar que concreto pode ser despejado a 1 km de altura. Como diz o Dr. Sang Dae Kim, diretor do Conselho de Edifícios Altos, à Construction Weekly: “em termos práticos, não precisamos construir nada com dois quilômetros de altura – mas alguém com muito dinheiro ainda pode quer fazê-lo”.

Assim, o objetivo de testar a tecnologia é provar ela pode ser feita – se não for na Arábia Saudita, será em outro lugar. [Saudi Gazette]

Imagens via Putzmeister