Até hoje acompanhamos notícias de Kindles, Nooks e e-readers em geral meio de longe, pela falta de lugar para comprar os livros eletrônicos. Parece que a Livraria Cultura, finalmente, começou a corrida dos e-books: ela vai disponibilizar um catálogo de mais de 120.000 livros eletrônicos, dentre os quais 500 em português, ainda em março. Mas o novo formato terá dois grandes desafios pela frente.

O primeiro desafio é a disponibilidade de e-readers no Brasil. Os livros serão vendidos em formato ePub e poderão ser lidos no Sony Reader, no Nook da Barnes & Noble, no iPad e iPhone (e provavelmente em outros smartphones também). Se você tem um Kindle, não se anime: ele não lê livros em formato ePub.

Só que, fora uma meia-dúzia de pessoas que comprou o Kindle (e está atrelado a livros em inglês na Amazon), eu nunca vi alguém com um e-reader aqui em São Paulo — o que se deve provavelmente ao alto custo de um aparelho destes, aliado à falta de conteúdo. A Cultura está claramente tentando resolver este segundo problema agora, e eles pretendem vender e-readers nas lojas físicas e virtual caso os fabricantes tenham interesse no mercado brasileiro (enquanto as alternativas brasileiras não aparecem). Nos EUA, as próprias livrarias lançaram leitores. Não espere isso da Cultura, por enquanto: o diretor da livraria, Sérgio Herz, disse ao IDG que eles sempre estariam atrás da concorrência caso fizessem isso.

Mas o apelo por leitores de e-books segue pequeno. Será que o maior público será, inicialmente, quem usa smartphones? Eles não têm o grande apelo de e-readers — a e-ink, que gasta pouca energia e cansa menos a vista — mas estão em maior número no Brasil, e o LCD pode ser uma tela melhor para a leitura, dependendo das circunstâncias. Veremos.

O segundo desafio é o DRM: as editoras vão colocar proteção contra cópia nos livros, e isso pode causar problemas na hora de ler os e-books. O formato ePub é o mesmo para todos os e-readers, mas cada e-reader usa um formato de DRM diferente. Herz comenta sobre isto:

"O grande desafio será o DRM. Teremos que ensinar o leitor a lidar com isto", afirma Herz… Segundo o diretor, o serviço contará conteúdos de apoio que instruirão como consumidores poderão acessar as obras com DRM.

Em um país onde a pirataria é tão frequente, e onde não há a cultura de se pagar por conteúdo, vender livros digitais (e com DRM) será com certeza um grande desafio.

Os livros virtuais não terão preço fixo, como na Amazon, e virão de de grandes editoras internacionais como HarperCollins e Penguin, além de três editoras brasileiras (Companhia das Letras, Zahar e Saint Paul).

Claramente a Livraria Cultura está à frente da realidade brasileira, vendendo e-books quando a disponibilidade de e-readers é pequena. Mas eles começaram a vender livros online em 1995, quando isso não era moda, e parece ter dado certo: eles faturaram cerca de 44 milhões de reais na loja online em 2009, de um total de R$ 274 milhões de todo o faturamento. [IDG e Folha; imagens de ceslava.com (1, 2)]