Na coletiva de hoje em São Paulo para mostrar sua linha de 2010, o pessoal da Semp Toshiba colocou lado a lado uma TV Sony com Blu-Ray (com a marca tampada) e uma TV Full-HD deles com seu novo aparelho de DVD "Toca Tudo". Compare a imagem e veja se o novo DVD com upscaling esperto é realmente impressionante.
 
Até que é bem bom. Repare que a TV da direita tem o novo tocador de DVD da Semp. Obviamente as cores foram ajustadas para ficarem meio lavadas no Blu-ray, e se você olhar bem a definição no Blu-Ray é melhor. Mas a da direita tem aquele setup favorito dos brasileiros, com contraste e brilho no talo, e impressiona mais. E é isso que o "DVD SRTech 9070SR faz. Ele tem um processador que otimiza ajustes de cores e luminosidade para dar a sensação que a definição é melhor. Some a isso um cabo HDMI (incluso) e o sinal mandado a 1080p para a TV Full HD e, para um olho destreinado, ele até que engana bem de longe.
 
Fora isso o SRTech é um player bem comum, especialmente se considerarmos o preço de R$ 329 que, se não chega a ser caro, já é um bocadinho alto para tocadores de DVD. Ele não toca Divx, fotos e música em diversos formatos do drive ou porta USB; tem uma entrada para microfone para a função karaokê, com pontuador e ajuste de eco para você incomodar os vizinhos.
 
 
Agora você pensa: é sério que em uma coletiva de lançamentos de produtos tecnológicos em 2010 (e não 2003) uma empresa resolve vender como grande inovação um DVD player com saída HDMI e upscaling? Por exatamente o mesmo motivo, há um ano e meio, a Toshiba foi alvo de piadas lá fora. Mas aqui no Brasil o lançamento faz algum sentido.  
 
A Semp Toshiba é líder no mercado brasileiro de TVs há 10 anos. Basicamente porque eles ainda fabricam muitas TVs de tubo, como um outro lançamento hoje, uma TV de 14” que tem "controle remoto luminoso" e sintoniza rádio FM. Somente em 2010 que as TVs de LCD e Plasma passarão (em unidades) as de CRT. E as TVs de tubo continuarão fortes, segundo o presidente da Semp Toshiba, Afonso Hennel, pelo menos até 2014, onde representarão, pelas suas projeções, 25% do mercado.
 
Será que vai demorar tanto assim para os brasileiros fazerem a transição? Hennel diz que há mercados onde só duas emissoras de TV pegam, e não há qualquer coisa nem próxima de sinal digital chegar. Então, em termos de estratégia e faturamento puro e simples, ainda faz sentido investir nos tubões. "Quem fica dizendo apenas ‘Viva o novo’ tem de lembrar que o poder de compra é limitado. A curva de redução de custos de LCDs é lenta". Se o custo vai demorar a cair (de fato os preços das TVs de LCD e plasma está mais ou menos estável nos últimos meses), eu espero com todas as forças que a Semp Toshiba esteja errada nas suas previsões, e que, se as TVs melhores não baratearem, ao menos o brasileiro tenha mais dinheiro para comprar sua diversão doméstica. Porque quem sai da TV de tubo pra uma de LCD, de 24” que seja, não quer voltar atrás nunca mais.
 
E não, nada contra a Semp. Até porque talvez a melhor TV que eu já vi ao vivo no mundo foi uma Cell Regza no Japão, da parceira tecnológica Toshiba. Mas nenhum sinal dela chegar ao Brasil, infelizmente.