Países como Japão e China contam com avançados trens de levitação magnética que flutuam graças a ímãs nos trilhos. O Brasil vem desenvolvendo uma tecnologia semelhante há anos, e agora você pode testá-la – pelo menos, se você estiver no Rio de Janeiro.

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A linha experimental do trem Maglev-Cobra, desenvolvida pela Coppe/UFRJ, agora está aberta ao público. As viagens serão realizadas toda terça-feira, de 11h às 12h e de 14h às 15h.

Os 200 metros de trilhos ligam o Centro de Tecnologia ao Centro de Tecnologia 2, na Ilha do Fundão (confira o mapa aqui). Cada viagem transporta dez passageiros a 10 km/h.

Richard Stephen, coordenador do projeto, diz ao jornal O Globo que o trem poderia chegar a 100 km/h em percursos mais longos, e poderia conter mais passageiros ao receber mais módulos.

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O trem conta com quatro módulos de 1,5 m cada, que levitam nos trilhos graças a placas de ímãs instaladas nos dois lados. No meio, supercondutores fazem o veículo flutuar a cerca de 1 cm. Isto se chama suspensão eletrodinâmica (EDS na sigla em inglês).

Não é a mesma tecnologia encontrada em trens-bala da China e Japão. Eles não usam supercondutores, e são atraídos pelos trilhos através de eletroímãs controlados de forma eletrônica – isso se chama suspensão eletromagnética (EMS).

A equipe aponta duas grandes vantagens de trens maglev como transporte urbano. Primeiro, o custo de implantação por quilômetro, que seria de 1/3 do valor necessário para implantação do metrô, porque ele dispensaria a construção de instalações complexas.

“A linha de demonstração existente na Coppe foi instalada em uma passarela sustentada por pilares, que não interfere ou obstrui a passagem de veículos e pedestres”, diz a Coppe em comunicado.

Além disso, como o trem usa levitação magnética, ele não emite ruído nem poluentes. Seria possível até mesmo instalar painéis solares para gerar energia e alimentar o veículo.

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As pesquisas da UFRJ para criar um transporte urbano de maglev vêm sendo feitas desde 2000. A construção do trem foi iniciada em 2013; os testes operacionais começaram no ano seguinte.

A inauguração do trecho ao público estava prevista para 2015, mas não ocorreu devido à falta de dinheiro. “O recurso que vinha para o projeto fechou a torneira. Tivemos que dispensar algumas pessoas, porque não havia verbas para mantê-las”, diz Stephen ao Globo. De fato, projetos científicos sofreram um baque no Brasil devido à crise econômica.

Os testes servirão para a Coppe/UFRJ obter a certificação para operar o trem comercialmente. Stephen espera que a tecnologia seja usada para construir uma linha maglev a partir de 2020.

O projeto Maglev-Cobra recebeu cerca de R$ 15 milhões desde seu início, vindos principalmente da Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do RJ) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

[O Globo]

Imagens: divulgação/Coppe/UFRJ