Dados observacionais coletados ao longo dos anos sugerem que o maior vulcão na lua de Júpiter, Io – o objeto geologicamente mais ativo no Sistema Solar – entrará em erupção em meados de setembro, o que pode ser a qualquer momento.

Quando se trata de erupções, os vulcões tendem a operar de forma imprevisível. Esse não é o caso de Loki, no entanto, é o caso do maior vulcão da lua Io. Quando ele entra em erupção, o que costuma ocorrer regularmente, o fenômeno responde por 15% do gasto total de calor da lua. Esse vulcão de 200 quilômetros de largura é tão poderoso que os astrônomos podem observar suas atividades usando telescópios terrestres, tornando-o o vulcão mais estudado que pode ser observado da Terra.

Nos últimos 20 anos, a astrônoma Julie Rathbun, do Instituto de Ciência Planetária do Arizona, observou com surpresa a erupção deste vulcão com uma estranha regularidade. Seus cálculos mais recentes sugerem que Loki entrará em erupção em meados de setembro, como ela disse hoje durante uma conferência na Reunião Conjunta EPSC-DPS 2019 em Genebra, Suíça, de acordo com um comunicado de imprensa divulgado pela Europlanet Society. Antes disso, Rathbun previu corretamente que Loki entraria em erupção em maio de 2018.

Loki, um lago de lava, é a estrutura escura em forma de ferradura vista à direita. Imagem: NASA/JPL/USGS

De fato, Rathbun conhece bem esse vulcão. Em 2002, ela identificou Loki como um vulcão periódico. Ao analisar os dados coletados de 1988 a 2000, ela viu que o gigante em forma de ferradura entrou em erupção em intervalos de aproximadamente 540 dias. Mas, então, a lua, fiel ao deus trapaceiro que recebeu esse nome, saiu da programação durante a década de 2000, entrando em erupção com menos frequência e sem padrão discernível. Isso mudou a partir de 2013, quando Rathbun identificou um novo cronograma no qual Loki entrou em erupção em intervalos de aproximadamente 475 dias, com erupções que duram cerca de 160 dias.

Desde 2013, Loki entra em erupção em períodos de aproximadamente 475 dias. Imagem: Julie A. Rathbun

Loki, que Rathbun suspeita ser um grande lago de lava em movimento, é previsível devido à sua tremenda circunferência.

“Devido ao seu tamanho, é provável que a física básica domine quando entrar em erupção, então as pequenas complicações que afetam vulcões menores provavelmente não afetarão tanto Loki”, disse Rathbun, segundo o comunicado da Europlanet Society.

Em um breve artigo elaborado para a reunião do EPSC-DPS, Rathbun disse que Loki “é um lago de lava com uma crosta que se solidifica à medida que esfria”, e “a quantidade de tempo entre as erupções é a quantidade de tempo necessária para a crosta se tornar gravitacionalmente instável e, portanto, está relacionado à porosidade da lava”.

Mas como Loki tem um histórico anterior de mudar sua agenda rapidamente, Rathbun alertou que sua última previsão não é definitiva.

“Os vulcões são tão difíceis de prever porque são muito complicados”, disse ela. “Muitas coisas influenciam as erupções vulcânicas, incluindo a taxa de suprimento de magma, a composição do magma – particularmente a presença de bolhas no magma, o tipo de rocha em que o vulcão se localiza, o estado de fratura da rocha e muitas outras questões”.

Errata: Uma versão anterior desse post trazia no título uma informação incorreta. Io é o nome de uma das luas de Júpiter, e o nome do vulcão é Loki. Corrigimos este erro.