Dois terços de todo o tráfego de Internet norte-americana pode ser criptografado até 2016. Não, não é por causa de ativistas da privacidade. Na verdade, é por causa do Netflix.

A informação é de um novo relatório da Sandvine, um fornecedor que presta serviços às operadoras de rede. A Sandvine estudou o tráfego nas redes de um de seus clientes, que eles não disseram qual foi. A empresa descobriu que, em abril de 2015, 65% do tráfego na rede foi feito sem criptografia. Apenas 29,1% do tráfego era criptografado. Outros 6%, de acordo com Sandvine, não poderiam ser classificados.

A Netflix pode ser o ponto de desequilíbrio

Na mesma época do ano que vem, esses números podem estar invertidos. Isso pode acontecer porque o Netflix é responsável por mais da metade do tráfego não criptografado que a Sandvine mediu. E o Netflix anunciou em abril que planeja migrar seu serviço para HTTPS, um protocolo criptografado, ainda este ano.

De acordo com o CEO Reed Hastings, a empresa está fazendo a mudança para “proteger a privacidade dos membros, particularmente quando a rede é insegura, como Wi-Fi público, e isso ajuda a proteger os membros de espionagem por seu provedor ou empregador, que pode querer gravar o que os nossos clientes andam vendo por outras razões “.

A mudança do Netflix para o HTTPS no final deste ano pode significar que cerca de dois terços de todo o tráfego de Internet podem estar criptografados no próximo ano. Naturalmente, esta projeção parte do pressuposto de que a rede que Sandvine analisou é suficientemente semelhante a outras redes norte-americanas e, portanto, pode ser utilizada como uma forma de modelar as tendências futuras.

O YouTube é responsável pelo maior tráfego criptografado

A segunda maior fonte de tráfego na rede, o YouTube, já criptografa seu tráfego com HTTPS. Isso impede que terceiros vejam hábitos de uso individuais. Isto também transforma o YouTube na maior fonte de tráfego de Internet criptografada, pelo menos na rede específica que a Sandvine estudou. De fato, o tráfego criptografado YouTube foi responsável por 11,45% do tráfego na rede.

Claro, o Google criptografa todos os seus serviços, então, tomados em conjunto, eles são responsáveis ​​por uma parte ainda maior da torta.

Antes de o YouTube fazer a mudança para HTTPS, clientes de BitTorrent como o uTorrent eram a maior fonte de tráfego criptografado. Os serviços de torrent ainda respondem por 7,2% de todo o tráfego na rede no estudo da Sandvine.

Imagem: Ian Britton via Flickr