Durante a noite de ontem, muitas lendas rondaram shoppings paulistanos no início da madrugada. Alguns diziam que um usuário teria chegado às 18h30 numa Fast Shop, já esperando o iPad. Outros falavam que alguns locais estavam mais vazios e os assessores juravam que ninguém foi contratado para fazer volume. As poucas certezas que temos é: todos os lugares tinham celebridades aleatórias e muitos iPads foram vendidos na meia-noite de ontem.

Fui enviado ao Shopping Higienópolis em São Paulo para averiguar a veracidade das lendas urbanas. A Livraria Saraiva, em parceria com a Vivo, cobriu a loja com um pano preto, como num espetáculo teatral no qual você já sabe cada movimento que será feito. A fila tinha cerca de 15 pessoas – o que parece ter surpreendido negativamente a segurança do shopping, que preparou correias de fila para no mínimo o triplo. “Mas é que está tendo eventos em vários lugares, né”, justificou uma compradora. 

O marasmo terminou com a chegada de Marcos Mion, Astrid Fontanelli e Zeca Camargo – o último em trajes havaianos. Burburinhos, teste de som na parte interna, entra e sai de assessores. A pontualidade não foi o forte e um jornalista disse que “a concorrente já estava vendendo”. Foi o sinal para o início de uma contagem regressiva “para o maior lançamento do ano”, puxada pelas celebridades. 10, 9, 8, 7, sono… Deveriam ter apostado num 3, 2, 1 que não dá tempo de desanimar. Caem as cortinas, começa o som lounge e as bebidas. O estande com o iPad fica vazio, mas é comemorada pela livraria e pela operadora: todos correram direto para a fila. Enquanto isso, os jornalistas e fotógrafos curtiam as empadinhas.

Esse foi o primeiro comprador da Saraiva (foto via UOL)

“Olha, se vocês quiserem pegar o Mion comprando seu iPad, é agora ou nunca”, disse uma assessora. Como você pode ver pela imagem do post, perdemos esse momento histórico. Uma das compradoras comuns na fila gritava “se jornalista furar fila eu vou tuitar, hein!”. O problema com celebridades também foi relatado pela Folha no Shopping Morumbi. Durante toda a bagunça, a cena mais bacana foi um pai e um filho de 8 anos brincando nos tablets esquecidos no estande. Ele adorou Angry Birds, abriu vários outros jogos e fez cara feia quando o pai abriu o app do NYT.

Apesar de pouca gente no shopping, a sensação das empresas era de dever cumprido. Até porque a Vivo fez parceria também com a Fnac, Fast Shop, A2You e iTown. E, segundo relatos, a fila na Fnac do Shopping Morumbi tinha cerca de 80 pessoas. Juntando os dois lugares, eram 100 pessoas à meia-noite de uma quinta-feira gastando entre R$1.699 a R$2.599 por um tablet. E a festa rolou em outros lugares, como no Shopping Villa-Lobos, e também no Rio de Janeiro e Salvador. Ou seja, é muita gente.

Visitar esse tipo de lançamento costuma abrir os olhos para o real mercado da Apple – e da maioria das empresas de tecnologia – no Brasil. Você, übergeek frequentador de fóruns, do nosso site, early adopter que já cansou de ver o iPad, deve ter desdenhado do atraso do tablet no país. Mas é preciso sair do mundo mais radical e antenado da tecnologia e acompanhar o mundo real, as pessoas comuns que se interessam por tecnologia quando ela surge em sua frente. Pense naquele garotinho que nem sabe direito o que é Apple e ficou maravilhado com os jogos. Essa maioria esmagadora de usuários comuns provavelmente irá zerar o estoque de iPads para o Natal – o que não é tão difícil, já que a Apple costuma mandar poucas unidades de seus aparelhos para cá. [Foto via FNAC]