Em reunião da Sociedade Astronômica Americana, uma equipe anunciou que o planeta Kepler-10c, descoberto em 2011, é na verdade um mundo rochoso com 17 vezes a massa da Terra – e o apelidaram de “megaterra”.

Acreditava-se que planetas tão grandes não eram possíveis, porque eles iriam absorver gás hidrogênio à medida que crescessem, até se transformarem em gigantes gasosos. A megaterra, no entanto, é sólida.

O planeta foi descoberto pela sonda Kepler, da NASA, que orbita o Sol em busca de exoplanetas na Via Láctea. Ela monitora, de forma contínua, o brilho de milhares de estrelas e envia tudo para a Terra. Aqui, cientistas analisam os dados para detectar planetas passando na frente dessas estrelas.

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Quanto maior a ofuscação, maior é o planeta. No caso, o diâmetro do Kepler-10c é estimado em 29.000 km, mais que o dobro da Terra. Ele está localizado a cerca de 560 anos-luz de distância, na constelação do Dragão.

No entanto, a sonda Kepler não consegue descobrir a composição dos planetas – isso ficou a cargo de um telescópio aqui na Terra. Em comunicado, o Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica explica:

A equipe usou o instrumento HARPS-North, do Telescopio Nazionale Galileo (TNG) nas Ilhas Canárias, para medir a massa do Kepler-10c. Eles descobriram que o planeta tem 17 vezes a massa da Terra – muito mais do que o esperado. Isso mostra que o Kepler-10c deve ter uma composição densa de pedras e outros sólidos.

Esta é a primeira megaterra já encontrada, porém descobertas como esta podem se tornar mais comuns no futuro. Os astrofísicos estão obtendo mais dados para analisar órbitas de longo período; e o astrônomo Lars A. Buchhave descobriu que, quanto mais tempo um planeta leva para orbitar a estrela, maior o tamanho em que ele passa de rochoso a gasoso.

Por que megaterras são tão importantes? Como explica o pesquisador Dimitar Sasselov, “encontrar o Kepler-10c nos diz que planetas rochosos poderiam se formar muito antes do que pensávamos. E se você pode fazer rochas, você pode criar vida”. [Harvard via Gawker]

Imagem: representação artística do sistema Kepler-10 via Centro Harvard-Smithsonian