O que você fazia quando tinha 12 anos? Nas horas vagas, o estudante Benyamin Ahmed, que vive em Londres, gosta de aprender programação. E esse hobby pouco comum para a idade fez com que ele entrasse de cabeça no mundo dos NFTs. Seu projeto de artes digitais, “Weird Whales”, caiu no gosto dos colecionadores nas últimas semanas — e já engordou sua carteira em pelo menos R$ 1,8 milhão.

“Weird Whales” é nada além de uma coleção de 3,350 emojis de baleias pixelados, programados pelo próprio Benyamin no estilo 8-bit. Nenhuma delas é igual a outra: cada figurinha tem características únicas, que podem alterar significativamente o seu valor.

Em entrevista à CNBC, o jovem estudante contou que a motivação para criar as figurinhas surgiu pelo seu gosto por Minecraft — e por baleias, claro. Toda a coleção, lançada em julho, custou cerca de R$ 1500 (US$ 300) para ser produzida. E o mais curioso é que, nove horas depois do lançamento, as tais baleias já estavam esgotadas.

A venda inicial rendeu R$ 1,3 milhão. Como Benyamin recebe uma comissão de 2,5% do valor cada vez que uma de suas artes troca de mão, seu faturamento já está na casa dos R$ 1,8 milhão.

Até o final de agosto, segundo projetou a CNBC, o jovem deve somar ganhos que ultrapassam os R$ 2 milhões. Quem arrematou seus NFTs, afinal, só as vende por uma grana boa. No tweet abaixo, feito por Benyamin na última semana, há uma lista das baleias que eram as mais caras à época.

Com a popularidade de Benyamin em alta, os valores para a compra das figurinhas ficaram ainda mais salgados. Esta singela baleia azul com bandana de tenista, que você pode conferir neste link, por exemplo, já vale a bagatela de R$ 66,480.

O mais curioso é que, como a maioria esmagadora das crianças de sua idade, Benyamin não possui uma conta em banco. Não é necessário: movimentações de NFTs, afinal, acontecem na blockchain, usando a criptomoeda Ethereum.

NFTs? Quem?

Caso você esteja perdido (ou isolado numa caverna nos últimos meses) e não faça ideia do que sejam os NFTs, aí, vai uma explicação rápida. A sigla define os Non Fungible Tokens (ou tokens não fungíveis, em português).

Logo de cara surgem dois conceitos estranhos: tokens e fungibilidade. Tokens são certificados de propriedade digital que garantem que uma determinada coisa pertence a uma pessoa — e só a ela. Já fungibilidade é a capacidade que algo tem de ser trocado por uma outra coisa de mesmo valor.

O dinheiro físico, por exemplo, é um bem fungível: você consegue trocar uma nota de R$ 10 por duas de R$ 5. Agora, um item raro, de colecionador — como uma camisa autografada por Pelé — é um bem não fungível. Não dá para outra camisa se equiparar àquela, porque o valor é subjetivo.

Comprar um NFT não significa ter o direito de desbloquear o acesso a um .jpeg ou receber um vídeo exclusivo. Muito menos que o dono tenha os direitos autorais ou a propriedade daquela coisa. Vários itens vendidos no formato de NFT, na verdade, estão disponíveis para o público em geral acessar — como este GIF do Nyan Cat, por exemplo, que chegou a ser vendido no formato de NFT pela bagatela de R$ 3 milhões. Basicamente, o que esses certificados fazem é garantir que o dono possa associar seu nome a algo. Só para dizer que comprou aquilo e poder ostentar isso para todo mundo.

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Como os contratos digitais ficam gravados na blockchain, não há como alguém reclamar a posse de algo indevidamente. O dono do token até pode vender seu direito de a outra pessoa. É assim que o mercado de NFTs gira — e o que faz certos itens de produção limitada serem mais ou menos raros.

Estranho? Bom, nem pra todo mundo.

Todo esse papo soou como música para o mercado da arte digital, que passou a tokenizar produções que antes não tinham um mercado organizado. Com isso, NFTs começaram a movimentar cifras astronômicas nos últimos meses nas mãos de colecionadores cheios da grana, que não temem em gastar valores exorbitantes para conquistar o direito de dizer que são donos de algo.

Quanto tempo a moda vai durar e quão longe podem chegar os valores dos NFTs, são perguntas que ninguém sabe responder ao certo. Artistas digitais — e entusiastas de programação, como Benyamin Ahmed — agradecem.

[CNBC]