Quando a Microsoft apresentou o Windows 10S no ano passado, eu fiquei bem preocupado. Se você não prestasse tanta atenção no que era proposto, ele até que parecia uma boa ideia: uma versão mais leve do Windows 10 padrão, projetada para computadores não tão poderosos, e potencialmente uma alternativa para os Chromebooks mais baratos, que se tornaram um sucesso no mercado educacional dos Estados Unidos. Tudo parece ok, certo?

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Nem tanto, porque as desvantagens deste sistema se amontoam. Você não pode instalar programas normais do Windows no 10S, porque os únicos softwares que ele consegue rodar são os apps da Plataforma Universal do Windows (UWP, na sigla em inglês) que estão disponíveis na Windows Store. Caramba, o 10S é só uma nova versão do Windows RT. E diferente dos Chromebooks, que possuem muitos softwares compatíveis graças ao suporte para apps Android, a Windows Store geralmente se parece mais com um deserto. Alguns dos aplicativos mais importantes estão lá, mas qualquer pessoa que utilizar o 10S sabe que não encontrará tudo o que deseja ali.

Resumindo o 10S, a Microsoft pegou a melhor coisa do Windows – sua capacidade de trabalhar sem muitos conflitos com uma vasta variedade de fontes – e a removeu em nome da simplicidade. Não parece tão ok agora, parece?

Para tornar tudo ainda pior, a Microsoft colocou o Windows 10S como padrão em sistemas caros como o Surface Laptop, o que força as pessoas a gastar tempo atualizando para o verdadeiro Windows 10 para utilizar todo o potencial do dispositivo de US$ 800 (ou mais). Apesar deste upgrade ser gratuito por um tempo limitado no Surface Laptop, não acontece o mesmo em outros sistemas com o Windows 10S, que só permite o upgrade depois do usuário pagar US$ 50 pelo luxo de ter um sistema operacional de verdade.

Por sorte, parece que a Microsoft entendeu o problema. Ela deixará de lançar o Windows 10S como uma versão distinta do Windows, e em vez disso liberará suas funcionalidades como um modo opcional dentro do sistema operacional a partir de 2019.

Em breve, se escolas e negócios quiserem bloquear seus dispositivos com Windows 10, elas poderão apenas ligando o modo 10S do sistema. Novidades dessa transição vazaram no início de fevereiro e agora o presidente de sistemas operacionais da Microsoft, Joe Belfiore, confirmou a mudança no Twitter.

Finalmente, o fracassado experimento Windows 10S chegará ao fim.