Fabricantes de computadores sonham há muito tempo com laptops de duas telas. A Microsoft começou essa onda há praticamente uma década com o Courier, um tablet com duas telas que, segundo apontavam os rumores, começou a ser desenvolvido mas nunca foi lançado. Agora, parece que essa ideia está de volta.

A Forbes falou com um diretor associado da empresa de inteligência de mercado IHS Markit, Jeff Lin, que afirma que a Microsoft tem planos para um Surface dobrável com duas telas de 9 polegadas. Esse dispositivo supostamente rodaria uma nova versão do Windows, capaz até de ter suporte a aplicativos Android.

Esse novo Surface de duas telas – que, segundo rumores começou a ser desenvolvido sob o codinome “Centaurus” – teria um novo SoC Intel Lakefield, conectividade always-on (via 4G LTE ou possivelmente 5G) e expectativa de lançamento para o primeiro ou segundo trimestre do ano que vem.

Lin também diz que as telas do Surface terão proporção 4:3, embora eu suspeite que os modelos finais virão com displays 3:2, já que essa é a proporção adotada pela Microsoft em todos os Surfaces lançados nos últimos anos.

Dispositivos como o ZenBook Pro Duo da Asus e o conceito Honeycomb Glacier da Intel provam que a proposta de um laptop de duas telas não é mais uma loucura. E o que torna esse novo Surface tão interessante é que ele pode ser um dos primeiros produtos a rodar um sistema baseado na plataforma Windows Core OS (WCOS), em vez do Windows 10.

O WCOS ainda não foi anunciado, mas informações apontam que ele tem sido desenvolvido como uma plataforma modular. Isso permitiria que a Microsoft misturasse e combinasse vários elementos do sistema para ser utilizado em um dispositivo específico, em vez de precisar usar uma bordagem única como acontece no Windows 10. Desta maneira, elementos como uma barra de tarefas ou um sistema de arquivos poderia ser adaptados de acordo com as necessidades

Isso é importante porque o Windows 10 não foi desenvolvido para dispositivos sem teclados físicos, muito menos aparelhos de duas telas como esse suposto Surface.

Ao usar o WCOS, a Microsoft poderia simplesmente desenvolver um módulo de software para gerenciar essas duas telas e em seguida, juntá-lo em uma versão simples do Windows que poderia ser mais apropriada para um dispositivo móvel.

Além disso, apesar de ser baseado no Windows 10, o WCOS daria à Microsoft a flexibilidade para adicionar suporte para aplicativos do Android neste novo dispositivo – por meio de uma solução baseada na nuvem ou pela virtualização no próprio aparelho.

Isso pode soar um pouco esquisito, mas faz bastante sentido. Afinal, a Microsoft precisa tentar desacelerar o crescimento dos Chromebooks, que rodam o Chrome OS mas também são capazes de lidar com apps Android, graças a uma iniciativa do Google de 2016.

Dito isso, acho que independente do quão esperto seja esse dispositivo, vai acabar sendo algo esquisito. Isso porque, embora portátil, um laptop com duas telas de 9 polegadas não parece entregar a mesma quantidade de espaço de tela que você tem num ultraportátil de 13 ou 14 polegadas – principalmente se você pensar que, enquanto estiver trabalhando, uma boa parte dessas telas precisará ser reservada para um teclado ou um touchpad na tela (ou ambos).

Ao contrário do conceito de laptop dobrável da Lenovo, a lacuna entre as duas telas do suposto Surface poderia limitar sua adaptabilidade.

Para uma empresa que tem supostamente trabalhado em uma mistura de laptop/tablet de duas telas há quase uma década, estou extremamente curioso para saber o que a Microsoft terá para apresentar. Espero que a aposta de Lin de um anúncio oficial para o primeiro semestre de 2020 esteja correta.