Em parceria com o Comando Estratégico do Reino Unido, que apóia o Ministério da Defesa, uma empresa não identificada desenvolveu um novo drone para ajudar as Forças Armadas britânicas em operações terrestres consideradas perigosas. E sim, é exatamente aquilo que você leu no título: um drone com espingarda.

Revelado pelo Popular Mechanics (via The Times), o i9 é um drone operado por humanos que pode voar dentro de casa, usa inteligência artificial (IA) para localizar e identificar alvos e está equipado com um par de espingardas. Se ler isso te faz sentir como se estivéssemos vivendo em um filme de ficção científica dos anos 90, então… Bem, acho que a resposta sim.



As operações de invasão – quando as Forças Armadas invadem uma área fechada onde grupos inimigos poderiam estar escondidos – são um dos tipos mais perigosos de operações terrestres. Muitas vidas são perdidas, especialmente entre os soldados que entram primeiro no prédio. Por isso, mandar um drone no lugar dos combatentes humanos seria ideal para esse tipo de operação.

No entanto, hexacópteros, ou drones de seis lâminas como o i9, geralmente têm problemas para se espatifar no chão se chegarem muito perto de uma parede dentro de uma pequena sala, especialmente se estiverem carregando algo pesado, como uma espingarda. A parede interrompe o fluxo de ar necessário para manter o drone voando, o que pode comprometer missões de invasão.

O i9 é o primeiro drone do Reino Unido que pode voar dentro de casa carregando armamento pesado. O Ministério da Defesa também espera desenvolver outras aplicações para o i9, como usá-lo para derrubar outros drones do céu e substituir as espingardas duplas por foguetes ou metralhadoras. E não, isso não é a descrição de um jogo de videogame: esse é o desejo do Ministério da Defesa do Reino Unido.

Nem o Popular Mechanics, nem o The Times entraram em detalhes sobre como os designers não identificados foram capazes de fazer isso, mas aparentemente seu elemento de IA ajuda o drone a se equilibrar em pleno vôo. Ambos também enfatizaram que o drone i9 não pode escolher atirar sozinho no que considera um alvo. Um operador humano precisa dizer manualmente ao drone se ele deve atirar ou se desligar.

Nos Estados Unidos, a Duke Robotics lançou recentemente um drone octocóptero (oito hélices) militar que pode transportar armas de fogo pesadas e “ser usado em várias aplicações militares, incluindo patrulhamento de fronteira, guerra de drones e contra o terrorismo”. Apelidado de Tikad, ele ganhou um prêmio de inovação de segurança do Departamento de Defesa dos EUA em 2016. Como o i9, também é operado remotamente – o que é uma coisa boa. Mesmo que esses drones sejam assustadores e distópicos, nenhum drone armado deve ter tanta autonomia.

Contudo, em um artigo da Human Rights Watch publicado recentemente, os EUA disseram durante o Grupo de Especialistas Governamentais da Convenção sobre Armas Convencionais, de agosto de 2019, que as armas autônomas letais “podem ter benefícios militares e humanitários”. O documento também observou que o Reino Unido disse anteriormente que considera o direito internacional humanitário existente bom o suficiente para regulamentar o uso de armas que se conduzem sozinhas, sem interferência humana.

De acordo com a Campaign to Stop Killer Robots (Campanha para Parar Robôs Assassinos), os “EUA, China, Israel, Coreia do Sul, Rússia e Reino Unido estão desenvolvendo sistemas de armas com autonomia significativa nas funções críticas de seleção e ataque de alvos”. A organização afirma que as armas totalmente autônomas carecem do julgamento humano necessário para esse tipo de operação, e isso poderia tornar a decisão de ir à guerra mais fácil e “transferir o fardo do conflito ainda mais para os civis”. Em um artigo publicado no mês passado, a organização lista 30 países que pediram uma proibição de armas totalmente autônomas – Reino Unido e Estados Unidos não estão entre eles. Em 2019, o Partido Nacional Escocês pediu a proibição de armas autônomas letais.

A guerra é horrível, e é compreensível que qualquer país queira que suas tropas retornem com segurança. Mas colocar tropas a uma distância literal e metafórica do combate direto parece mais semelhante a um videogame do que qualquer outra coisa. E, como aponta a Campanha para Parar Robôs Assassinos, esses tipos de drones podem abrir caminho para armas totalmente autônomas.