A imagem de um cefalópode do tamanho de uma ervilha, capturada por uma equipe de cientistas no Havaí, tem se espalhado nesta semana por causa do quão fofa essa pequena criatura parece. Mas não se engane: mesmo um polvo bebê pode ser um assassino com um coração de pedra — e existem provas fotográficas disso.

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A imagem do minúsculo polvo — que foi descoberto junto com um outro pela equipe — foi compartilhada pelo Parque Histórico Nacional Kaloko-Honokohau em agosto, mas foi publicada no Instagram pelo Departamento do Interior dos Estados Unidos nesta semana. Pela foto tirada do lado do dedo indicador de uma mulher, fica imediatamente claro o quão pequeno polvos bebês são.

A ecologista marinha Sallie Beavers, do Parque Kaloko-Honokohau, disse ao Earther por e-mail que sua equipe encontrou os dois polvos em estágio planctônico enquanto pegava detritos flutuantes durante uma quebra de superfície em sua pesquisa de recifes de coral. Ela disse que os minúsculos cefalópodes provavelmente eram Octopus cyanea (chamado de polvo comum de recife) ou Octopus ornatus (às vezes chamado de “polvo noturno”), embora a equipe não tivesse certeza da espécie.

Imagem: Ashley Pugh (The National Park Service)

“Fotografamos o polvo e o levamos para o recife (dentro de um pequeno recipiente) para liberá-lo em uma pequena fenda de coral em nosso próximo mergulho”, disse Beavers. “Encontramos um segundo (polvo) com mais detritos marinhos no mesmo dia e fizemos o mesmo. Como estávamos efetivamente removendo seu abrigo ao coletar o lixo, não queríamos liberá-lo na superfície.”

As fotos compartilhadas na página do parque nacional no Facebook em 3 de agosto foram um sucesso nas redes sociais. Mas não se deixe enganar pela aparente doçura dessas minúsculas criaturas. Os polvos são notórios assassinos, como evidenciado por uma foto compartilhada pelo parque no dia seguinte que mostra outro invertebrado com tentáculos atacando e matando um filhote de caranguejo.

“Foto de outro polvo bebê tirada pela equipe de mergulho (novamente encontrado em detritos de plástico), atacando e matando um bebê caranguejo”, disse o parque em 4 de agosto. “Talvez eles não sejam tão fofos?”

Imagem: Ashley Pugh (The National Park Service)

Quando perguntada sobre o que as imagens desses polvos bebês poderiam nos dizer sobre o atual estado da poluição de plástico na área, Beavers disse ao Earther que a quantidade de resíduo plástico (incluindo microplásticos) que é arrastado pelas águas até o parque “aumentou drasticamente” nos 17 anos em que ela trabalha lá.

“O uso de plástico descartável por seres humanos em todo o mundo está atingindo um nível de crise para o oceano e suas espécies marinhas”, disse Beavers. “Embora o plástico flutuante forneça o mesmo abrigo temporário para espécies marinhas de estágio planctônico (filhotes de tartarugas, polvos, caranguejos, peixes, entre outros) que os detritos flutuantes naturais (troncos e outros materiais vegetais) fornecem, ele não é o ambiente apropriado para eles. As micropartículas do plástico provavelmente são ingeridas até certo ponto pelo animal juvenil e também provavelmente ingeridas pelos peixes, aves marinhas e outros predadores que são atraídos pela vida marinha que tende a se acumular em torno de objetos flutuantes.”

Beavers disse que ela espera que as imagens dessas criaturinhas “ajudem a conscientizar nossa necessidade global de inibir o uso único de plásticos e proteger os oceanos do mundo”. Ela acrescentou: “A saúde do oceano é essencial para a saúde humana”.

[Associated Press]

Imagem do topo: Ashley Pugh (The National Park Service)