A missão OSIRIS-REx da NASA não vai apenas tirar belas fotos do asteroide Bennu (ou encontrar sinais de água) — ela vai também ajudar os cientistas a saber se a rocha irá um dia ameaçar a Terra.

• Sonda da NASA encontra sinais de água no asteroide Bennu

Há muitas razões para estudar asteroides. Eles podem ser potenciais minas para recursos preciosos como água e elementos pesados, além de conter pistas que podemos estudar para descobrir como era o Sistema Solar nos seus primeiros dias. Mas, também, objetos grandes que colidem com a Terra podem ter consequências catastróficas. Portanto, os cientistas também estão interessados nisso.

O Bennu é um asteroide de 487 metros de largura que orbita o Sol relativamente perto da Terra. A OSIRIS-REx, missão da NASA encarregada de estudá-lo, foi lançada em setembro de 2016 e chegou ao seu destino na última segunda-feira (3). A nave espacial carrega cinco instrumentos: um conjunto de câmeras, um sistema LIDAR (como o radar, mas com um laser em vez de ondas de rádio) e três espectrômetros, que medem diferentes comprimentos de onda de luz para determinar a composição do asteroide.

O Bennu é um alvo especialmente importante quando se trata da nossa própria sobrevivência. Aproximadamente a cada seis anos, ele chega relativamente perto da Terra (“perto” em termos cósmicos, mas muito longe por qualquer outra medida). Os modelos sugerem que, durante suas aproximação da Terra entre os anos 2175 e 2196, ele tem uma chance de 1 em 2.700 de colidir conosco. Isso ainda é incrivelmente pequeno (uma chance de 99,963% de não acontecer), mas o Bennu é uma grande rocha — mesmo as pequenas probabilidades são grandes demais para ignorar quando a civilização está em jogo.

Por que os astrônomos não sabem com certeza se estamos seguros? Há muitas forças em jogo, e pequenas diferenças podem mudar as probabilidades. Durante algumas das aproximações do asteroide, a gravidade da Terra irá dar-lhe um empurrão que poderá deslocá-lo para uma rota de colisão. Além disso, há o efeito Yarkovsky, de acordo com um comunicado de imprensa do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA: o aquecimento desigual do Sol em um corpo tão leve pode causar mudanças em sua trajetória. Não está claro para onde o Bennu irá depois de 2135.

A OSIRIS-REx, junto com telescópios na Terra, continuará a analisar o asteroide, traçando seu caminho e determinando como a gravidade e o efeito Yarkovsky irão influenciar sua trajetória. Esperamos que a missão produza trajetórias 60 vezes mais precisas do que as estimativas atuais, de acordo com o comunicado de imprensa.

Então, o que acontece se o Bennu se tornar uma ameaça? Bem, você, pessoalmente, não deve se preocupar, porque as chances são muito boas de que você esteja morto. Seus filhos, também, provavelmente estarão mortos. Mas pesquisadores estão trabalhando em algumas soluções. Uma missão chamada Double Asteroid Redirection Test tentará bater com uma nave espacial em um asteroide para causar uma mudança de trajetória. Talvez pudéssemos bombardear asteroides. Ou, se tivermos tempo suficiente, talvez possamos simplesmente pintar um lado dele para mudar como ele absorve a radiação solar, usando o efeito Yarkovsky a nosso favor.

Existem muitos dados a serem coletados antes de sabermos o que o Bennu fará, além de muitos outros experimentos científicos interessantes para conduzir. Mas saiba que o Bennu não é o asteroide com o qual você deve se preocupar. Os asteroides com os quais se deve preocupar são os que ainda não foram detectados.

[NASA JPL]