O carro autônomo da Uber que atropelou e matou uma mulher em Tempe, Arizona (EUA), contava com uma motorista humana, que deveria agir como garantia contra falhas. Agora, ela foi acusada pelas autoridades locais de homicídio por negligência. As informações são da Associated Press. O acidente de 2018 foi o primeiro caso registrado de um pedestre morto por um carro de direção autônoma.

As autoridades do estado de Phoenix acusaram formalmente Rafaela Vasquez pelo homicídio negligente de Elaine Herzberg, a moradora de Tempe de 49 anos que foi morta enquanto caminhava com sua bicicleta pela Mill Avenue.

O carro em questão — que estava viajando dentro do limite de velocidade de 72 km/h no momento do acidente — estava operando em modo autônomo com Vasquez atuando como uma operadora de segurança enquanto a Uber testava a nova tecnologia emTempe. Nenhum outro passageiro estava a bordo.

Os investigadores descobriram que a inteligência artificial de direção autônoma continha um punhado de “falhas de segurança e de design”, incluindo a incapacidade de reagir adequadamente a pedestres que atravessam fora da faixa. Como resultado, o software não iniciou a frenagem até que fosse tarde demais para o carro evitar uma colisão. Esse era exatamente o tipo de circunstância que operadores de segurança como Vazquez deveriam mitigar.

Momentos antes do acidente, a filmagem do painel interno indicava que Vasquez desviava repetidamente os olhos da estrada e voltava-se para seu colo. Embora ela tenha negado inicialmente que estava manipulando qualquer dispositivo eletrônico ao volante, dados que o Hulu forneceu à polícia mostraram que Vasquez estava assistindo a episódios de “The Voice” minutos antes do acidente. De acordo com os registros do Hulu, ela parou de ver apenas um minuto antes de o veículo autônomo atingir Herzberg.

Ela se declarou inocente das acusações de homicídio, de acordo com a AP.

Embora a Uber tenha conseguido evitar responsabilidade criminal, parte da culpa aqui também se aplica à empresa. Como o Information descreveu na época, Robbie Miller, gerente da Uber, passou os dias antes do acidente tentando avisar outros executivos seniores de que os veículos autônomos da empresa estavam “se envolvendo rotineiramente em acidentes que resultavam em danos” e que alguns dos motoristas que foram contratados pareciam não ter sido devidamente testados ou treinados.

Enquanto isso, os investigadores federais do U.S. National Transportation Safety Board (Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA, também conhecido pela sigla NTSB) descobriram que a equipe da Uber em Tempe responsável pelo programa de teste falhou em manter algumas das salvaguardas básicas que eram exigidas, como colocar a bordo uma equipe dedicada de segurança.

Os veículos autônomos da Uber foram implicados pela NTSB em dois acidentes anteriores por não conseguirem identificar com precisão um determinado perigo. Na época, a frota autônoma da empresa havia se envolvido em 37 acidentes desde o início do programa, em 2016.

Apesar desses acidentes, a Bloomberg descobriu que a Uber decidiu reduzir o número de motoristas humanos protegendo esses testes de veículos de dois por carro para apenas um — isso foi cinco meses antes que um de seus carros acabasse com a vida de Elaine Herzberg. Na mesma época desses testes, a empresa demitiu 100 de seus operadores de segurança de veículos autônomos, substituindo-os 55 deles pelos chamados “especialistas de missão” e renovando completamente seus protocolos de segurança, que haviam sido pensados para os dois motoristas originalmente obrigatórios por veículo.

A Uber já fez um acordo com a família de Herzberg por uma quantia não revelada.

Atualmente, a empresa opera veículos autônomos em Pittsburgh, San Francisco, Toronto, Washington DC e Dallas. Não está claro se a visibilidade teve influência na falha da inteligência artificial para reagir a um pedestre aproximadamente às 22h. As cidades onde os veículos são atualmente testados permitem que eles rodem apenas em algumas vias e somente durante o dia.