Na última segunda-feira (4), foi divulgada a terceira e última parte do relatório mais recente do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). Nesta edição, o documento abordou, com base na ciência, formas de frear as mudanças climáticas. 

Como explicado pelos autores, é necessário reduzir as emissões globais de gases do efeito estufa em quase 50% até o final desta década. Só assim será possível manter o aumento das temperaturas em 1,5ºC, em comparação a níveis pré-industriais — como foi estabelecido pelo Acordo de Paris.

Por outro lado, as políticas climáticas atuais gerariam um efeito contrário ao esperado, levando a um aquecimento de 3,2ºC até o final do século. Mesmo com o cenário negativo, cientistas defendem que é cedo para assinar o atestado de óbito da Terra.

Em entrevista à Associated Press, diversos pesquisadores comentaram sobre o futuro do planeta, que está ameaçado também pela desesperança da humanidade. 

Muitos jovens pensam em não ter filhos com medo do planeta que ficará para as crianças. A ideia não é inválida, mas os pesquisadores acreditam que não é hora de desistir. Uma ação efetiva iniciada agora pode mudar o cenário.

Uma das formas de reduzir a emissão de poluentes é investindo em energias renováveis. Além disso, é necessário olhar para a desigualdade das emissões: quais países estão impactando mais o meio ambiente? Como desenvolver políticas públicas que sejam justas para todas as partes? A cooperação internacional também deve ser considerada.

Não para por aí. Mudanças na alimentação, adoção de carros elétricos, diminuição do transporte aéreo e ampliação de parques são algumas propostas para diminuir os efeitos das mudanças climáticas.

De acordo com Michael Mann, cientista climático da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, as preocupações dos pesquisadores acabam sendo amplificadas, levando todos a pensar que estão condenados, “quando o que o cientista realmente disse foi que precisamos reduzir as emissões de carbono em 50% dentro deste década para evitar 1,5ºC de aquecimento, o que seria muito ruim. Dois graus de aquecimento seriam muito piores do que 1,5ºC de aquecimento, mas não o fim da civilização”.

Ainda não é hora de pular do barco. Por enquanto, devemos reformá-lo em movimento — de preferência, o quanto antes.