Ao caminhar pela cidade de Arica, no Chile, é possível ver alguns ossos de múmias saltando do chão. A região, que foi um antigo cemitério da cultura Chinchorro, está agora sendo impactada pelas mudanças climáticas.

Ventos fortes e chuvas intensas estão expondo restos mortais, o que deixa as evidências históricas suscetíveis à roubos e depredação. Os próprios arqueólogos estão enterrando de volta os ossos e marcando a região afetada com bandeirinhas. 

De acordo com os cientistas, essas múmias estão preservadas na região há 7 mil anos. Até pouco tempo atrás, elas eram consideradas as mais antigas do mundo, mas um esqueleto de 8 mil anos encontrado em Portugal tomou o lugar no pódio.

Não adianta levar os restos mortais expostos aos museus chilenos. Além de não ter mais espaço, as múmias que já estão guardadas nas instituições também estão se deteriorando devido ao clima úmido do Atacama, que permite a proliferação de bactérias.

O povo Chinchorro vivia entre o Peru e o Chile. A mumificação feita por eles transformava os mortos em verdadeiras obras de arte, com o corpo embrulhado em confecções de juncos, pele de leão-marinho, argila, lã de alpaca e perucas de cabelo humano.

Em julho de 2021, as múmias Chinchorro foram inscritas na lista de Patrimônio Mundial da Unesco, o que deu esperança aos pesquisadores de que elas seriam conservadas. A construção de um novo museu chileno próximo à Arica, iniciada neste ano, também leva a crer que os restos mortais terão um destino digno. Por enquanto, o cuidado das múmias chilenas está nas mãos de arqueólogos e moradores locais.