_Arqueologia

Múmia egípcia do século 7 a.C. teve rosto reconstituído por brasileiro

Cícero Moraes, especialista em 3D, ajudou a equipe a usar técnicas de tomografia computadorizada e documentos históricos para chegar ao rosto de Shep-en-Isis

Rosto Múmia

Imagem: Cícero Moraes/Reprodução

A múmia de Shep-en-Isis foi encontrada no Egito em 1819. E, assim como boa parte dos tesouros do Egito antigo, não permaneceu no local.

No ano seguinte, o corpo foi transferido para a Biblioteca da Abadia de São Galo, na Suíça, o que contribuiu para que a múmia atraísse muita atenção no país europeu. 

Com os holofotes voltados para ela, cientistas puderam determinar sua idade, ascendência e até mesmo classe social. Mas faltava um ponto importante: qual era a aparência de Shep-en-Isis?

O rosto da múmia foi revelado este mês por um projeto idealizado pelo Centro de Pesquisas da FAPAB, na Itália.

Entre os pesquisadores envolvidos, estava Cícero Moraes, artista brasileiro especialista em 3D e conhecido por ter representado figuras como Maria Madalena e Jesus Cristo.

Veja abaixo o processo de reconstrução:

Os cientistas utilizaram tomografias computadorizadas, dados morfológicos, documentos históricos e outras pesquisas para chegar ao resultado final. Todo o processo foi documentado no artigo The Forensic Facial Reconstruction of Shep-en-Isis, disponível na Amazon.

Diferente de outras representações, não foram adicionadas perucas, roupas ou joias em Shep-en-Isis. De acordo com os pesquisadores, que falaram à revista Aventuras na História, tais detalhes representariam apenas “suposições hipotéticas”. 

O rosto da múmia possui uma deformidade que coloca sua arcada dentária superior à frente da inferior. Este chamado prognatismo maxilar classe II foi considerado a característica mais marcante da moça, que morreu entre 620 e 610 a.C.

O caixão de Shep-en-Isis foi encontrado no templo mortuário de Hatshepsut, na margem ocidental do rio Nilo. O espaço parece ter sido construído por seu pai, Pa-es-tjenfi, para abrigar a família após a morte. Os pesquisadores não sabem dizer se a mulher teve filhos.

Inscrições encontradas em seu sarcófago sugerem que a múmia pertencia a uma longa linhagem de sacerdotes de Amon em Tebas, fazendo parte de uma família de classe alta. Evidências pontam que a mulher também recebeu algum tipo de educação formal.

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