Provavelmente tinha oito patas, e pelo menos uma delas ainda empunha uma faca. Esse é o relato de arqueólogos no norte do Peru que anunciaram a descoberta de um mural de 15 metros que já foi a peça central de um santuário pré-colombiano.

A descoberta foi feita em novembro de 2020, quando agricultores que buscavam expandir suas terras destruíram parcialmente uma huaca — estrutura cerimonial peruana — instalada entre suas plantações de abacate e cana-de-açúcar. A huaca, agora cortada ao meio, revelou um mural impressionante.

Tradução: Escavadoras destruíram um monte de adobe (que não era conhecido e que seria do período Cupisnique) para expandir as terras agrícolas. O fragmento de um mural sobreviveu. Aumentei o contraste da foto original para que o desenho seja melhor apreciado. Detalhes no link.

“O que temos aqui é um santuário que teria sido um centro cerimonial há milhares de anos”, disse Régulo Franco Jordán, um dos arqueólogos que escavou e preservou os elementos da antiga obra de arte que não havia sido demolida, ao jornal peruano La República.

Jordán estimou que o mural tinha cerca de 3,2 mil anos e observou que algo em torno de 60% da huaca foi destruída. Os arqueólogos atribuem a huaca e o mural à cultura Cupisnique, que usava as aranhas como símbolo divino. Os Cupisnique habitaram a região, hoje conhecida como Vale do Virú, durante grande parte da Idade do Ferro. Em 2008, um afresco de uma aranha divina apareceu em um templo atribuído aos Cupisnique nas proximidades, e outros locais habitados por esses povos revelaram cerâmica adornada com aracnídeos.

Este local, apelidado de Tombalito por Jordán, é cortado pelo rio Virú, na costa noroeste do Peru. É possível distinguir algumas das patas do aracnídeo e a arma que ele empunha em uma “mão”. Os pigmentos vermelho, branco, amarelo e cinza mal se distinguem do solo castanho cáqui.

“A aranha do santuário está associada à água e era um animal extremamente importante nas culturas pré-hispânicas, que viviam de acordo com um calendário cerimonial”, disse Jordán ao La Libertad. “É provável que tenha havido uma cerimônia especial da água sagrada realizada entre janeiro e março, quando as chuvas caíram das áreas mais altas.”

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Há detalhes adicionais nos cantos do mural exposto que sugerem que há mais obras de arte Cupisnique para descobrir além da aranha. Mas a equipe irá cobrir temporariamente o local e retornar para mais trabalhos de escavação, conforme a pandemia permitir.