Os operadores têm sido incapazes de enviar transmissões de rádio para a sonda espacial Voyager 2 desde meados de março, mas um teste recente de hardware recém-instalado deu um bom sinal de que as atualizações da Deep Space Network da NASA estão ocorrendo conforme planejado.

A NASA enviou um comando para a Voyager 2 em 29 de outubro, algo que ela não tinha conseguido fazer há sete meses, de acordo com um comunicado da agência. Os operadores da missão fizeram isso usando a Deep Space Station 43 (DDS43) — a única antena de rádio capaz de se comunicar com a espaçonave. Lançada em 1977, a Voyager 2 está atualmente a 18.792 milhões de quilômetros da Terra. Ela e sua parceira Voyager 1 são os objetos de fabricação humana que foram mais longe no universo.

A antena de rádio está offline devido a reparos e atualizações muito necessários. A reconexão bem-sucedida não deveria acontecer até daqui a três meses, mas o teste inicial do hardware recém-instalado, no qual a Voyager 2 retornou um sinal de “alô” conforme ordenado, é uma boa notícia, pois o equipamento deve voltar a ficar online só em fevereiro de 2021.

A NASA não conseguiu falar com a Voyager 2 durante o intervalo de sete meses, mas a sonda estava transmitindo atualizações de saúde e informações científicas importantes. A sonda está atualmente viajando pela heliosfera a 55.160 km/h, onde está explorando esta região expansiva semelhante a uma bolha do sistema solar externo.

Imagem conceitual da Voyager 2. Imagem: NASA

A Deep Space Network é um conjunto de antenas de rádio localizadas ao redor do mundo e seu objetivo principal é se comunicar com espaçonaves que estão além da Lua. Localizado em Canberra, Austrália, o DDS43 é uma engrenagem importante neste sistema, mas, aos 48 anos, precisava urgentemente de uma atualização. A antena de rádio de 34 metros de largura já passou por melhorias antes, mas, nos últimos 30 anos, ela nunca tinha ficado tanto tempo desligada.

“A antena DSS43 é um sistema altamente especializado; existem apenas duas outras antenas semelhantes no mundo, então deixar a antena desligada por um ano não é uma situação ideal para a Voyager ou para muitas outras missões da NASA”, disse Philip Baldwin, gerente de operações do programa de Comunicações e Navegação Espacial (SCaN) da NASA. “A agência tomou a decisão de conduzir essas atualizações para garantir que a antena possa continuar a ser usada para missões atuais e futuras. Para uma antena de quase 50 anos, é melhor ser proativo do que reativo com manutenção crítica.”

Esses reparos e atualizações serão benéficos para outras missões, incluindo a Mars Perseverance (atualmente a caminho de Marte) e as próximas missões Artemis para a superfície lunar, para não mencionar futuras viagens a Marte envolvendo humanos.

Pode parecer surpreendente que somente uma das antenas parabólicas na Terra possa se comunicar com a Voyager 2, mas há um bom motivo para isso. Para que a sonda sobrevoasse a lua Tritão, de Netuno, em 1989, os operadores da missão tiveram que enviar a sonda sobre o polo norte do gigante de gelo. Esta trajetória exigia que a sonda viajasse em uma direção sul em relação ao plano orbital reto, e desde então ela tem se movido nesta direção.

A consequência dessa manobra é que a Voyager 2 agora viajou tão ao sul do plano planetário que não pode ser alcançada por antenas de rádio no hemisfério norte da Terra. Sua irmã Voyager 1 ainda pode ser alcançada por um par de antenas no hemisfério norte, pois a sonda tomou um caminho diferente, passando por Saturno.

A DSS43 também é a única antena parabólica no hemisfério sul com um transmissor poderoso o suficiente para alcançar a Voyager 2, ao mesmo tempo que é capaz de falar o idioma certo: uplinks para Voyager 2 devem ser transmitidos na banda S, enquanto downlinks devem ser recebidos na banda X.

A comunicação bidirecional com a Voyager 2 foi restaurada, e a máquina continua funcionando. Mas, olha, eu bem que gostaria de ficar alguns meses sem nenhum contato com a Terra.