O filme Estrelas além do tempo (Hidden Figures), de 2016, baseado no livro de mesmo nome, teve grande impacto por trazer à luz a história até então desconhecida das matemáticas e engenheiras negras que trabalharam na NASA e ajudaram a fazer os cálculos matemáticos para levar astronautas para o espaço.

Aos poucos, a NASA tem prestado homenagem a essas mulheres. A primeira foi Katherine G. Johnson, que passou a dar nome ao antigo Centro de Pesquisa Langley da NASA. Nesta quinta-feira (25), a agência norte-americana batizou a sua sede em Washington D.C., na capital do país, com o nome de Mary W. Jackson, a primeira engenheira negra da instituição.

“Hoje, orgulhosamente anunciamos a sede Mary W. Jackson, da NASA. O local fica apropriadamente na avenida Hidden Figures, um lembrete de que Mary foi uma das profissionais mais incríveis e talentosas da história da NASA e que contribuiu para o sucesso da agência”, disse Jim Bridestine, administrador da NASA, em um comunicado de imprensa.

“Mary era parte de um grupo de mulheres muito importantes que ajudaram a NASA a levar astronautas para o espaço. Mary nunca aceitou o status quo, ajudou a quebrar barreiras e abriu oportunidades para mulheres e afro-americanos no campo de engenharia e tecnologia.”

Sede Mary W. Jackson, da NASA, em Washington. Crédito: NASASede Mary W. Jackson, da NASA, em Washington. Crédito: NASA

Mary W. Jackson trabalhou em uma unidade segregada da NASA no Centro de Pesquisa Langley, em Hampton, Virgínia (EUA). Sua formação original era matemática e física. Ela começou a trabalhar em 1951 no Comitê Nacional para Aconselhamento sobre Aeronáutica (NACA, na sigla em inglês) que, posteriormente, se tornou a agência espacial norte-americana.

No início, Jackson trabalhava como pesquisadora na área de matemática e, posteriormente, ficou conhecida como um dos “computadores humanos”, ao lado de Dorothy Vaughan, outra matemática negra, também retratada no filme Estrelas além do tempo.

Após dois anos na área de cálculos, foi sugerido que Jackson fizesse um treinamento para ser promovida de matemática para engenheira. Ela o fez; porém, como a instituição de ensino era segregada, precisou de permissão especial para participar das aulas com colegas brancos.

Jackson, então, foi promovida e, em 1958, se tornou a primeira engenheira negra da NASA. Durante o tempo na agência, ela foi co-autora de diversos artigos científicos, a maioria focado na camada limite ao redor de aviões. Em 1979, ela passou a fazer parte de um programa com o objetivo de contratar e promover a próxima geração de engenheiras, matemáticas e cientistas da agência espacial. Ela se aposentou em 1985.

Infelizmente, ela faleceu em 2005 e não pôde aproveitar de todo o reconhecimento, que foi só chegou ao grande público com o livro e o filme. Após sua morte, ela ainda foi premiada em 2019 com uma medalha de ouro do Congresso dos EUA, a maior honraria civil do país, pela contribuição ao serviço espacial dos EUA. Wanda Jackson, neta de Mary W. Jackson, recebeu a homenagem pela avó.

Antes tarde do que nunca a NASA fazer isso, mas imagine só quão legal seria se Mary W. Jackson pudesse ter aproveitado tudo isso em vida.

[NASA]