Em horários de pico, a Netflix corresponde a 37% de todo o tráfego de internet na América do Norte. Por isso, a empresa criou uma nova abordagem para fazer streaming de toda a sua programação: os vídeos carregam mais rápido e diminuem o impacto na sua conexão.

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O catálogo da Netflix ocupa mais de 3 petabytes de armazenamento na nuvem, porque é preciso codificar cada filme oferecido em mais de cem formatos diferentes, levando em conta várias taxas de bits, faixas de áudio, e os mil dispositivos suportados.

Segundo a Variety, cada vídeo era codificado da mesma forma, incluindo uma versão 320 x 240 para conexões bem lentas; outro vídeo em HD; e uma versão com bitrate de 5.800 kbps e resolução Full-HD.

Isso é problemático porque determinados vídeos não precisam de uma taxa de bits tão alta. “Você não deve atribuir a mesma quantidade de bits para My Little Pony e para Os Vingadores“, diz Anne Aaron, gerente de algoritmos de vídeo na Netflix.

Os Vingadores tem sequências de ação cheias de “ruído” na tela, como explosões, lutas em ritmo acelerado e planos de fundo detalhados – e portanto requer mais dados.

Enquanto isso, o desenho animado My Little Pony consiste em grandes áreas de uma só cor, como um céu no mesmo tom de azul – assim, dá para economizar dados ao codificá-lo. É possível transmitir My Little Pony em Full-HD a uma taxa de bits de apenas 1.500 kbps sem ninguém notar a diferença.

Claro, a nova técnica da Netflix não é útil apenas para desenhos animados. A Variety participou de um teste na sede da empresa, em que dois episódios de Orange is the New Black passavam em Full-HD em duas TVs lado a lado.

Uma delas estava usando o bitrate antigo (5.800 kbps) enquanto a outra transmitia a uma qualidade menor (4.640 kbps) – no entanto, a qualidade de imagem era praticamente igual. Isso representa uma economia de 20% no consumo de dados.

Como a Netflix vai decidir o bitrate ideal para cada vídeo? A empresa não revela detalhes técnicos, mas diz que cada título do catálogo é analisado individualmente de forma automática por sistemas criados em parceria com três universidades.

A Netflix diz que quer estar presente em todos os países do mundo até o final de 2016. Chegar a usuários de telefonia móvel na Índia e na África Subsaariana é muito mais difícil sem um plano de codificação como este.

A equipe de algoritmos quer recodificar todo o catálogo até o primeiro trimestre de 2016. Este novo esquema já vem sendo testado há alguns meses; os usuários são escolhidos aleatoriamente. Para você, isso significa assistir Jessica Jones em boa definição, independentemente de sua conexão de internet.

[Variety]

Foto por caribb/Flickr