Na guerra contra os usuários de VPN, o Netflix está se saindo vencedor. Diversas empresas que oferecem meios de burlar a localização do usuário para acessar o catálogo de outros países estão jogando a toalha.

Filmes aclamados estão sumindo do catálogo do Netflix nos EUA. E no Brasil?
Netflix está impedindo acesso de usuários com VPN que burlam restrições geográficas

Desde o começo do ano, o Netflix declarou guerra às VPNs. Essas ferramentas costumam ser usadas para ter acesso ao catálogo em outro país que não seja o que você está acessando – brasileiros usam VPN para assistir a atrações disponíveis apenas nos EUA, por exemplo.

O Netflix vem sofrendo pressão de estúdios e parceiros de conteúdo que licenciam suas obras para a plataforma. Por isso, eles dizem: “vamos continuar a cumprir e fazer cumprir o licenciamento por localização geográfica”.

O bloqueio começou a valer mesmo em março, e serviços de VPN diziam que arranjariam um jeito de burlar a proibição. Mas agora, alguns meses depois, alguns dos maiores nomes do mundo VPN estão desistindo de competir com o Netflix, segundo a CBC.

No fim de agosto, o UFlix jogou a toalha. Em um post feito no blog da ferramenta, seus criadores explicaram o que levou ao fim da disputa – e a admissão da derrota:

“Infelizmente, todas as vezes que configuramos uma nova rede ou encontramos uma solução, ela é bloqueada em questão de horas. Ao longo dos últimos sete meses, dedicamos muito tempo, dinheiro e energia para manter o Netflix desbloqueado. Normalmente conseguimos fazer voltar a rodar depois de algumas horas do bloqueio. No entanto, isso consumiu muito dos nossos recursos e tempo.”

Outros serviços não admitiram derrota, mas vêm se mantendo em silêncio há algum tempo – um indício de que não estão se saindo muito bem na batalha.

Um deles é o Unblock-US. Quando o bloqueio do Netflix começou a valer mesmo, os desenvolvedores da ferramenta chegaram a enviar instruções para os usuários conseguirem burlar e assistir ao que quisessem. Mas, aos poucos, a ferramenta parou de funcionar.

Em vez de dar uma nova solução, o Unblock-US escolheu inicialmente o silêncio, e, depois, aos poucos, foi removendo referências ao Netflix tanto do seu site quanto da página no Facebook.

O UnoTelly também escolheu o silêncio como resposta à investida do Netflix: na página do Facebook da ferramenta, muitos reclamam que não conseguem mais burlar a restrição geográfica – e os desenvolvedores não estão mais respondendo aos usuários.

Se alguns serviços já desistiram, outros mantêm as esperanças: o Getflix diz que trabalha em uma “nova solução que vai ser impossível de ser bloqueada”, mas que o desenvolvimento leva tempo e eles ainda não podem disponibilizar para os usuários. Resta saber se um dia essa solução vai ser implementada, e quanto tempo ela vai durar – se é que vai funcionar.

[CBC]

Foto por Paul Sakuma/AP