Após a decisão da suprema corte dos EUA de derrubar a lei “Roe v. Wade”, que garantia o direito ao aborto no país, 13 estados americanos se posicionaram em direção ao banimento da prática, e pelo menos nove pretendem criminalizá-la. Isso fez as empresas do setor de tecnologia e mídia se movimentarem.

Netflix, Paramount, Disney, Warner Bros. Discovery, Sony, Meta e várias outras grandes empresas anunciaram que vão custear as viagens de funcionários que desejem abortar.

Segundo informações da Variety, após a decisão, a Disney reforçou que funcionários que não podem acessar um serviço médico, incluindo abortos, têm um benefício de viagem que permite “cobertura acessível para receber níveis semelhantes de atendimento em outro local”. A empresa emprega cerca de 80 mil pessoas na Flórida, estado que já sancionou a proibição de abortos após 15 semanas de gravidez — o que deve entrar em vigor em 1º de julho.

Já a Netflix disse que oferece aos funcionários e seus dependentes até US$ 10.000 em reembolso de viagem para tratamento de câncer, transplantes, cuidados de afirmação de gênero ou aborto por meio de seu plano. A Warner Bros. Discovery disse que expandiu seus benefícios de saúde para cobrir funcionários que precisam ir para outros estados para ter acesso ao aborto e cuidados reprodutivos. 

A Paramount Global enviou um memorando à equipe, obtido pela Variety, confirmando as intenções da empresa de cobrir os custos de viagem de funcionários que buscam abortos. “Cuidados de saúde reprodutiva por meio de seguro de saúde patrocinado pela empresa, incluindo cobertura para controle de natalidade, assistência ao aborto eletivo, assistência ao aborto e certas despesas de viagem relacionadas se o serviço de saúde coberto, como o aborto, for proibido em sua área.”

Em um memorando,  o Google também confirmou que os funcionários podem solicitar a mudança “sem justificativa”, permitindo que aqueles em estados onde o aborto é proibido se mudem para estados onde é legal.

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Um porta-voz da Meta disse que a empresa oferecerá reembolsos de viagens, mas afirmou que “conforme a lei permitir”. Isso é notável porque alguns estados dos EUA estão instituindo a proibição do aborto, e podem tentar encontrar maneiras de restringir legalmente as pessoas de viajar para outros estados para fazer o procedimento. “Estamos no processo de avaliar a melhor forma de fazê-lo, dadas as complexidades legais envolvidas”, disse o porta-voz.

A Amazon, por sua vez, pagará até US$ 4 mil (R$ 21 mil) em despesas de viagem para abortos. O benefício aplica caso o procedimento não seja permitido em 160 km da casa dos funcionários, segundo a NBC News