Na falta de notícias perto do Natal, os rumores sobre um hipotético "Google Phone" dominaram o noticiário tecnológico. Há poucos minutos, finalmente, ele foi anunciado oficialmente. O celular com o levemente atualizado sistema Android 2.1 foi o aparelho tratado com mais carinho pelo Google, que o desenvolveu junto com a HTC desde o início e se certificou que ele seria um "superphone", uma nova categoria de smartphones, com um impressionante processador de 1 Ghz. A partir de hoje, o Nexus One, como foi batizado, será vendido diretamente pelo Google nos EUA, desbloqueado, a US$ 529, ou com contrato de 2 anos na T-Mobile por US$ 179. Ele vai mudar a indústria ou é apenas uma evolução natural do sistema? Vejamos.

Em termos de hardware, ele parece bastante sexy e é a soma de boas coisas que já existem em outros aparelhos. A tela capacitiva é de 3.7”, mesmo tamanho da do Milestone, com quase a mesma resolução (480 x 800, aqui). A diferença é que no Nexus a tela é de AMOLED, como no Samsung Galaxy, o que deixa os pretos mais pretos e as cores mais vivas (o pessoal do Engadget, porém, disse que ela puxava demais para algumas cores, como o laranja).  Há um sistema de cancelamento de ruído ativo na saída de 3.5mm para o headphone, uma câmera de 5 MP, 512 MB de memória interna (ROM) e 512 MB de RAM, mais espaço para cartão de até 32 GB.

E há, é claro, o processador Snapdragon, desenvolvido pela Qualcomm, de 1 Ghz. No papel, ele é consideravelmente mais rápido que o do Milestone (550 Mhz) ou do iPhone 3GS (600 Mhz). Na demonstração durante a coletiva, todas as transições de tela pareceram bem mais rápidas. No teste do Engadget, que fez um extenso review, as páginas de internet foram carregadas mais rápido no Nexus que no iPhone 3GS e no Milestone, mas no geral não havia nada significativamente mais rápido – faltam aplicativos que usem este poder de fogo todo.

O sistema Android 2.1 não é exatamente revolucionário. É a mesma boa experiência do Android 2.0, mais rápida, com transições e mais possibilidade de customização de telas iniciais (5, ao invés de 3). Há um negócio chamado "Live wallpaper", que basicamente permite o uso de fundos de tela animados. No wallpaper padrão do Nexus One, há um fundo com folhas que caem dependendo do toque e uma superfície d’água que se move com suas dedadas. Inútil, mas lindo. O Google confirmou hoje que outros smartphones que rodam hoje o Android 2.0 (por enquanto, só o Milestone) poderão receber o upgrade para o 2.1 daqui a alguns dias. 

Antes de mostrar o aparelho propriamente dito, o Google mostrou a evolução dos telefones com Android. Se hoje ele parece onipresente, no fim de 2008 o sistema com o robozinho estava em apenas um celular, o G1 da HTC, exclusivamente na T-Mobile – que não chegou ao Brasil. Hoje, com a inclusão de 13 novos membros, a Open Handset Alliance (entidade que congrega parceiros do sistema operacional) está em 20 aparelhos, 59 operadoras, 48 países e 19 línguas. Para empresas como Motorola, virou a salvação. Para outras, como a HTC, que fazia bom hardware em um sistema complicado como o Windows Mobile, um alívio.

Você deve estar se perguntando: "e aí, eu preciso começar a juntar dinheiro agora?". A resposta não é tão simples. No fim das contas, pelas impressões até agora, ele é possivelmente o melhor smartphone com Android à venda hoje, nos EUA, mas marginalmente (o Engadget ainda prefere o Droid/Milestone). Ele não é o messias dos celulares, certamente não é absolutamente superior ao seu concorrente preto nem ao iPhone 3GS. Então, se você comprou um Android recentemente ou está feliz com o iPhone 3GS, pode desistir de anunciá-lo no Mercadolivre. 

O que é bem interessante para os americanos, e não tanto pra gente aqui, é o novo sistema de vendas: você vai no Google.com/phone, escolhe como comprar (desbloqueado ou com desconto com a operadora), e o recebe em casa. Se quiser, até com uma personalização do fundo, com uma gravação no metal que nem o iPod Touch. Ele funcionará em absolutamente todas as operadoras dos EUA, o que é inacreditável para os amigos do norte (por isso todo o bafafá), mas normal para os outros países do mundo.

E pra gente? Se você entrar agora no endereço google.com/phone com a sua conta do Google, como eu fiz, verá uma simpática mensagem "Desculpe, mas o Nexus One não está disponível no seu país no momento". Não há nenhum sinal dele na Anatel, caminho obrigatório. Historicamente, a HTC sempre vendeu seus celulares aqui com pouco subsídio da operadora. Veja o ótimo HTC Magic, o smartphone com Android com 1.6 da fabricante chinesa à venda aqui: custa R$ 2.399, desbloqueado, e cerca de R$ 1.500 na TIM com subsídios.  É mais caro que o iPhone 3GS, que tem preço semelhante, desbloqueado, nos EUA. Não há motivos para crer, hoje, que ele chegará a um preço razoável (leia-se menos de R$ 800 com subsídios) pelas operadoras, mas estamos indo atrás de Google e HTC AGORA para descobrir isso.

Mais detalhes sobre o Nexus One, com impressões e fotos dos nossos amigos do Giz US, logo mais.