Muito se tem falado sobre Carrie Fisher, que faria 65 anos nesta quarta-feira (21), e sua interpretação da Princesa Leia nas telonas. No entanto, há algo profundamente inspirador em voltar aos primeiros momentos em que somos apresentados a ela em Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança.

A figura sombria de Darth Vader andando no corredor branco e brilhante envolto em fumaça, o desleixo casual de Han Solo na Cantina de Mos Eisley, até mesmo a angústia infantil de Luke Skywalker só querendo ir para a Estação Tosche e pegar alguns conversores de energia. Star Wars — mesmo antes de virar um fenômeno — introduziu de forma hábil e brilhante os seus personagens. Mas, como sempre, foi a princesa Leia que nos deu o a estreia mais épica de todos.

Antes de ler, assista a intro para imergir melhor no assunto:

A bordo do Tantive IV, enquanto o Império a persegue e nós, da perspectiva de C-3PO e R2-D2, somos convidados a este mundo estranho em um momento de puro medo e pânico, nosso primeiro vislumbre de Leia é (com o perdão da palavra) como um alien tentando existir nesse universo fantástico e perigoso.

Vista de longe, encapuzada enquanto se aninha para passar uma mensagem para R2-D2, esta é talvez a entrada digna de uma princesa que podemos esperar de um mundo fantástico como Star Wars e outras histórias sci-fi. Em suas vestes brancas esvoaçantes, ela é etérea, misteriosa, fugaz e graciosa. Mas, em questão de segundos, temos essa imagem quebrada na cena seguinte mostrando um lado mais destemida.

Imagem: Lucasfilm

Leia, em uma missão tão secreta para nós quanto para seus perseguidores, desliza em nossa visão por trás da cobertura enquanto Stormtroopers vasculham os corredores. Imediatamente, a vemos com um blaster (arma espacial), assim que um capanga a vê, ela atira sem medo — mesmo que isso denuncie sua presença.

Mesmo depois ser capturada, ela é apenas uma sonhadora com um título extravagante (afinal, é uma princesa. Leia tem que ser capturada sem ser tocada e tudo o que precisamos aprender sobre ela, se resume a esta questão simples: quem tenta capturá-la tenta pegá-la com vida, e ela apenas os quer mortos. Esta não é uma princesa de conto de fadas, mas uma rebelde por seus próprios méritos — um soldado igual a qualquer um que tínhamos acabado de ver tentar se livrar do ataque imperial.

Imagem: Lucasfilm

Todo aquele momento mostra uma praticidade simples e uma confiança determinada que transparece ao longo da atuação de Fisher no filme, e é algo a que retornamos cena após cena. Seu desafio quando ela reconhece o perverso Governor Tarkin, a forma como, mesmo cativa, ela resiste à intimidação de Vader. Mesmo quando ela deveria ser resgatada por Han e Luke, ela fica abalada por quão distintamente impressionada ela está por seus supostos heróis, imediatamente assumindo o controle e abrindo caminho para fora do cativeiro: um líder e um lutador.

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Toda vez que temos a chance de fazer com que Leia seja percebida como a típica protagonista coadjuvante — o objeto de desejo, o símbolo subjugado pelo qual os homens devem lutar pelo controle — Fisher está pronta para o que vier com carisma e confiança exalando de suas expressões e ações mais nítidas para nos dizer que Leia é tudo, menos alguém para ser controlada.

E tudo começa com aquela simples intro, para dar seu primeiro tiro (de muitos) contra o Império. A Princesa (e depois, General) Leia nunca seria nada do que poderíamos esperar desde o início, e Carrie Fisher nos disse isso imediatamente.