Para algumas pessoas, o Nokia 9 PureView, anunciado oficialmente no domingo (24), no Mobile World Congress 2019, é um pesadelo de se olhar — quase literalmente. Pessoas com tripofobia têm relatado que o visual do novo aparelho da empresa tem servido de gatilho para a condição.

Escrevemos aqui que, visualmente, ele não é lá essas coisas, que não impressiona ao ser observado — exceto pelo grupo de pessoas que sofrem de tripofobia.

A tripofobia é uma condição caracterizada por um medo ou nojo irracional de imagens ou objetos com agrupamentos de buracos ou padrões geométricos irregulares. Se você der uma olhada nesta foto, ou nesta, ou até mesmo nesta aqui — abra por sua conta e risco —, conseguirá fazer imediatamente a ligação com a câmera quíntupla do 9 PureView.

Usuários relataram sua reação desagradável ao olhar o novo celular da Nokia em publicações no Reddit e no Twitter, por exemplo. “O Nokia PureView 9 está ativando minha tripofobia. Essas lentes são assustadoras e me dão arrepios”, tuitou @gideonaduku. “O Nokia 9 PureView não é basicamente um gatilho para pessoas com tripofobia?”, questionou @F1uffyMatt.

Para oferecer o que pode ser o “módulo de câmera mais sofisticado de qualquer smartphone no mercado”, como escreveu Sam Rutherford aqui no Gizmodo, o Nokia 9 PureView conta com sete orifícios em sua parte traseira — as cinco câmeras, é claro, e um sensor de luz e outro de infravermelho. Ouvido pelo jornal inglês Metro, o Dr. Geoff Cole, do Departamento de Psicologia da Universidade de Essex, no Reino Unido, confirmou que o padrão da câmera “realmente tem a estrutura para causar tripofobia”.

“Quando uma pessoa tira uma foto de você, a câmera deste telefone pode ficar aproximadamente em uma distância e alinhamento que poderiam servir como gatilho para uma resposta tripofóbica”, explicou Cole.

A parte frontal do 9 PureView não vai te dar nojo, a não ser que você tenha bordafobia. Foto: Sam Rutherford/Gizmodo

O psicólogo aponta que a tripofobia varia em graus de pessoa para pessoa, indo de efeitos pequenos a respostas graves à visão de uma imagem com padrão que dispara a tripofobia. Stella Lourenço, psicóloga da Universidade Emory, disse em comunicado que o fenômeno, “que provavelmente tem uma base evolutiva, pode ser mais comum do que imaginamos”.

Eu particularmente não tenho tripofobia, e meu único incômodo com o módulo da câmera está relacionado ao fato de eu achá-lo sinceramente feio mesmo. Se para mim já não é uma vista agradável, imagine só para quem tem a condição.

[Metro]