Rumores têm sido espalhados sobre um misterioso smartphone da Nokia com uma estrutura de câmera multilente na traseira há mais de seis meses. Alguns pensaram que ele seria anunciado na CES, ou durante o período devagar de smartphones do começo do primeiro trimestre do ano. Porém, enfim, no Mobile World Congress 2019, a longa espera acabou.

Olhando a parte frontal, o Nokia 9 PureView não poderia parecer mais comum. Isso não quer dizer que seja feio, mas com bordas de tamanho comum, tanto acima como abaixo da tela, sem entalhe ou “olho” para a câmera de selfie e com uma moldura relativamente quadrada, ele não vai exatamente chamar sua atenção em comparação com algo como o novo Galaxy S10. O Nokia 9 PureView sequer vem com o processador mais recente da Qualcomm, já que a empresa optou por usar um chip Snapdragon 845, de 2018.

Mas há uma boa razão para essa última parte, e logo que você vira o telefone dá pode ver por que. Com um total de cinco câmeras de 12 MP, incluindo três sensores preto e branco e dois sensores de cor (juntamente com flash), o Nokia 9 PureView oferece o que pode ser o módulo de câmera mais sofisticado de qualquer smartphone no mercado.

Foto: Sam Rutherford (Gizmodo)

Entretanto, para fazer todas essas câmeras funcionarem juntas, a Nokia teve que personalizar o chip Snapdragon 845 do 9 PureView especificamente para a tarefa, um processo em que a empresa vem trabalhando desde antes mesmo do anúncio do Snapdragon 855. Então, a Nokia recrutou a Light — fabricante da câmera de 16 lentes L16 —, que criou um ASIC (circuito integrado de aplicação específica) especial para o aparelho, a fim de coletar e gerenciar melhor todas as informações fotográficas.

Mas o que é ainda mais impressionante é que o Nokia 9 PureView não oferece qualquer tipo de teleobjetiva ou captura de imagem ultra grande angular. Em vez disso, todas as cinco lentes são focadas em uma coisa: a qualidade final da imagem.

Por causa do arranjo vagamente hexagonal das cinco câmeras, cada lente consegue ter uma visão ligeiramente diferente do mundo. Isso deve permitir que o Nokia 9 PureView capture imagens com mais de mil níveis de sensibilidade de profundidade (pelo menos é o que afirma a Nokia), de modo que, em vez de obter apenas duas ou três zonas de bokeh como você vê em um monte de fotos de outros smartphones (especialmente aqueles com bokeh simulado), as áreas borradas e fora de foco no Nokia 9 PureView fazem uma transição suave da frente para trás. E, com base em amostras iniciais, a Nokia parece entregar um dos melhores bokeh encontrados em qualquer aparelho que não seja uma câmera DSLR tradicional ou uma mirrorless.

A Nokia também alega que os sensores monocromáticos do Nokia 9 PureView capturam 2,9 vezes mais luz do que um sensor RGB tradicional, então a imagem do smartphone também deve apresentar detalhes significativamente melhores. E, para se certificar de que esses detalhes sejam preservados durante todo o processo de edição, a Nokia trabalhou com a Adobe para criar um perfil RAW DNG especial para o Photoshop, tanto no desktop quanto no aplicativo móvel.

No caso de você um dia se deparar com uma situação em que perceba que o foco de uma imagem não está muito bom depois que você a tirou, a Nokia também fez uma parceria com o Google para se certificar de que as imagens do Nokia 9 sejam compatíveis com o padrão de mapeamento de profundidade GDepth. Isso significa que, mesmo dias ou semanas depois de tirar uma foto, você ainda será capaz de ajustar o foco de uma imagem diretamente no Google Fotos, que serve como aplicativo de galeria padrão do Nokia 9 PureView.

A Nokia exibiu algumas fotos de amostra, e, embora elas fossem claramente escolhidas para mostrar o melhor que o telefone pode fazer, os resultados ainda são bastante convincentes. Fiquei particularmente impressionado com algumas das fotos de paisagem que capturavam vários detalhes em algumas das rochas, o que ajuda a adicionar uma sensação extra de detalhe e emoção à imagem.

Quanto ao restante das características do smartphone, ele oferece uma lista bastante robusta de componentes, incluindo 6 GB de RAM, 128 GB de armazenamento, carregamento sem fio Qi, sensor de impressão digital na tela e desbloqueio facial integrado. Ao contrário de um monte de telefones anteriores da Nokia, o 9 PureView ainda traz uma tela FHD+ POLED em vez do display mais comum de LCD.

Mas, no fim, tudo vai se resumir ao quão boas serão as fotos do aparelho. E, se os resultados do mundo real forem quase tão bons quanto as fotos de amostra da empresa, o Nokia 9 PureView pode ser o melhor exemplo até agora de por que é melhor ter mais câmeras do que apenas uma. Não há efeitos engraçados, ou truques bobos; o aparelho parece querer apenas entregar imagens super detalhadas e de alta qualidade para agradar até mesmo o mais exigente dos entusiastas de fotografia. É um telefone que busca ser a solução quando uma grande DSLR ou uma mirrorless não é uma opção.

O Nokia 9 PureView estará disponível por US$ 700 em algum momento deste segundo trimestre, embora não haja nenhuma informação ainda se ele estará disponível apenas desbloqueado ou se irá também para lojas de operadoras. Evidentemente, por ora, também não há informações de preço e lançamento para o Brasil.