Em abril, correram boatos de que a Nokia voltaria ao mercado de celulares. Esta semana, em uma entrevista à revista alemã Manager Magazin, o CEO Rajeev Suri confirmou isto, dizendo que “nós vamos procurar parceiros adequados”. Afinal, a Nokia não vai fabricar aparelhos de novo.

Suri diz à revista: “a Microsoft fabrica celulares; nós só iríamos projetá-los e oferecer o nome da marca sob licenciamento”.

É basicamente a mesma situação do tablet N1: a Nokia criou o design, mas fez um acordo para que a Foxconn cuide de tudo, indo da fabricação à venda e atendimento ao cliente, e passando por propriedade intelectual e licenciamento de software.

A Nokia não pode produzir celulares porque vendeu suas fábricas para a Microsoft. E ela terá que esperar até o terceiro trimestre de 2016 se quiser licenciar sua marca para uma empresa de celulares.

Mas espere: a Nokia não havia negado oficialmente esse retorno aos celulares? Bem, na verdade não. Confira na linha do tempo:

– 20 de abril: duas fontes dizem ao Re/code que a finlandesa planeja retornar aos celulares no início de 2016, mas não pretende fabricá-los.

– 23 de abril: o site chinês SCDaily.cn diz que, segundo o presidente da Nokia China, Mike Wang, a empresa vai voltar ao mercado de celulares com um smartphone Android.

A Nokia vai abrir um centro de pesquisa e desenvolvimento em Sichuan, onde há várias indústrias de celular. Isso deu a impressão de que a empresa iria fabricar celulares.

– 26 de abril: a Nokia publica um comunicado dizendo que “relatos alegando a intenção de fabricar celulares em um laboratório de P&D na China” são falsos, e incluem comentários “incorretamente atribuídos” a um executivo da Nokia Networks.

A empresa ainda disse que “atualmente não tem planos de fabricar nem vender celulares”. Só que, como o CEO Rajeev Suri explica, a Nokia realmente não vai produzir nem comercializar celulares: ela deixará isso nas mãos de um parceiro. Seu trabalho será exclusivamente no design e licenciamento.

Mesmo assim, não espere que a Nokia volte a se dedicar aos celulares, algo que lhe rendeu bilhões em prejuízo. Hoje, ela trabalha com infraestrutura, e é responsável por instalar redes celulares em 120 países. Em abril, ela anunciou a compra da Alcatel-Lucent no valor de US$ 16,6 bilhões; a empresa instala redes de telefonia fixa e celular ao redor do mundo.

Para se dedicar a essa atividade, a Nokia também planeja vender a divisão HERE de mapas. Rumores dizem que um grupo de montadoras alemãs – incluindo BMW, Audi e Daimler – querem comprá-la, mas Suri sugere que elas não têm preferência. Ele diz à Manager Magazin: “qualquer um que puder melhorar esse negócio no longo prazo é um bom comprador”. [Manager Magazin via Reuters]

Foto por Kārlis Dambrāns/Flickr