Com os jogos olímpicos oficialmente iniciados e com a superação de novos recordes olímpicos na natação, você pode se perguntar: como os nadadores vão continuar a melhorar? Será que não chegamos ao auge corporal? Se nós queremos continuar a evoluir na modalidade aquática, teremos ou de apelar para o doping ou nos tornarmos seres humanos com cauda de sereia.

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Independente de termos atingido ou não o pico das condições físicas, nós ainda podemos melhorar na natação, segundo os pesquisadores da Universidade de Bielefeld, na Alemanha, em parceria com um sistema criado pela CITEC (Cluster of Excellence Cognitive Interaction Technology), que espera melhorar a técnica dos atletas utilizando dados de som.

Ele consiste em um processao chamado “sonificação”, que coleta dados e os converte em sons que o nadador pode interpretar. Neste caso, como a pressão da água flui pelas mãos do nadador — que praticamente é a única coisas que eles veem — isso é medido por um sistema que inclui duas luvas com tubos que servem como sensores de pressão. Elas são conectadas por um instrumento de medição, que converte essas informações em sons para depois serem escutadas em um fone pelos atletas. Basicamente, cria um som que o nadador pode usar para poder melhorar seu nado.

“Se um nadador registra as mudanças de pressão de fluxo ao ouvir, ele pode julgar melhor, por exemplo, como ele pode produzir melhores impulsos com um gasto de energia parecido”, disse Bodo Ungerechts, que trabalhou no projeto.

“Ao usar este sistema, os nadadores desenvolvem uma harmonia — uma espécie de melodia. Se um nadador consegue fazer um boa sequência rápida, ele pode usar a gravação da melodia mentalmente para ajudá-lo a refazer a execução desta sequência”, complementou.

Em um teste feito em setembro de 2015, dez nadadores profissionais, incluindo três que se classificaram para competições internacionais, testaram o sistema e acharam que o sistema ajudou na técnica deles pelo fato de fornecer um feedback instantâneo. A equipe de natação do PSV Eindhoven, na Holanda, também usou a técnica por dois meses.

“É uma vantagem para os nadadores receberem feedback imediato da forma como estão nadando”, disse Thomas Hermann, do CITEC. “As pessoas aprendem mais rapidamente quando elas têm feedback direto, pois podem imediatamente testarem os efeitos— neste caso, o som — de algo novo.”

Pesquisadores esperam ter um sistema autônomo o suficiente de modo que os nadadores possam usá-lo sem a ajuda de outra pessoa, e eles esperam incorporar o sistema em mais programas de treinamento.

A iniciativa parece bem interessante, uma vez que os atletas já chegaram ao limite corporal para a prática da natação. Quem sabe vai ser a tecnologia de treino que vai fazer a diferença em um futuro próximo.

[Universidade de Bielefeld]