O Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) anunciou nesta quinta-feira (18) a descoberta de uma nova espécie de dinossauro brasileiro, batizada de Berthasaura leopoldinae.

Os restos do animal foram encontrados na localidade de Cruzeiro do Oeste, noroeste do  estado do Paraná, a 500 quilômetros de Curitiba. As descobertas foram publicadas na revista Nature

No artigo, a equipe escreveu que os achados representam o mais completo terópode não aviário do Cretáceo Brasileiro (período estimado entre 70 e 80 milhões de anos atrás) e preserva os fósseis mais completos de noassaurídeos conhecidos até o momento.

Os paleontólogos encontraram crânio e mandíbula, coluna vertebral, cinturas peitoral e pélvica e membros anteriores e posteriores. 

Homenagens

Fósseis bem preservados foram importantes para classificação da espécie, segundo especialistas — Foto: Divulgação/Museu Nacional / Reprodução G1

Além disso, de acordo com o estudo, o novo táxon exibe novas características de ossos incomuns em terópodes não aviários e sem precedentes mesmo entre os ceratossauros sul-americanos. 

Isso inclui não apenas mandíbulas desdentadas, mas também um pré-maxilar com borda oclusal cortante e uma ponta rostral ligeiramente voltada para baixo –lembrando as aves atuais.

Ao G1, Alexandre Kellner, diretor do Museu Nacional que participou das escavações entre 2011 e 2014, disse que o nível de conservação dos fósseis impressionou os paleontólogos.

O primeiro nome foi escolhido em homenagem à pesquisadora Bertha Maria Júlia Lutz (1894–1976) por sua contribuição científica e atividade social principalmente em relação aos direitos da mulher no Brasil, combinada com saura, feminino de saurus do grego para lagarto.

 Já o segundo, homenageia a primeira imperatriz brasileira, Maria Leopoldina (1797-1826), por seu papel na independência do Brasil.  

Outra contemplação no nome vai para a escola de samba Imperatriz Leopoldinense, que honrou o centenário do Museu Nacional no Carnaval de 2018. 

Esquema ósseo completo da Berthasaura Leopoldinae — Foto: Divulgação/Museu Nacional / Reprodução G1

Banguelo e pequeno 

Os pesquisadores agora estão cheios de perguntas sobre qual seria a dieta do animal, já que não havia sinais de dentição. É importante destacar que, mesmo com essa característica, isso não impede que, talvez, o dinossauro tenha sido carnívoro. Por exemplo, gaviões e corujas não têm dentes e conseguem dilacerar carne com facilidade.

Réplica da Berthasaura leopoldinae
Museu Nacional/UFRJ/Reprodução CNN

Porém, os cientistas acreditam que seja provável que fosse um animal onívoro, dado o ambiente em que vivia. De acordo com Luiz Weinschütz, do Centro Paleontológico da Universidade do Contestado, a região era árida, deserta, com escassez de recursos nutricionais, o que seria muito vantajoso, já que a próxima alimentação poderia demorar meses.

 

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A pesquisa estima que a espécie tinha por volta de um metro de comprimento, não passando de 80 centímetros de altura. O peso ainda não foi determinado, mas ficaria entre oito a 10 quilos. 

[G1]