Como se tivesse hora marcada, uma estranha nuvem voltou a aparecer acima da superfície marciana.

Esta longa e fina nuvem foi avistada entre 17 e 19 de julho pela Câmera de Monitoramento Visual (VMC) da Mars Express, um satélite que tem estado na órbita de Marte desde 2004. Estas imagens foram possíveis devido à órbita elíptica da Mars Express e à ampla visão de campo da VMC, como foi notado num comunicado de imprensa da ESA (Agência Espacial Europeia).

Esta nuvem é recorrente em Marte, aparecendo anualmente acima do Arsia Mons, um vulcão de quase 20 km de altitude localizado perto do equador marciano. A nuvem assemelha-se a uma pluma vulcânica, mas não está associada a qualquer tipo de atividade do vulcão.

Composta de gelo de água, ela surge ao longo da encosta de sotavento do vulcão, ou seja, o lado não voltado para os ventos predominantes.

A Nuvem Alongada Arsia Mons (ou AMEC, na sigla em inglês) pode atingir cerca de 1.800 km de comprimento. Por incrível que pareça, ela pode se tornar grande o suficiente para ser avistada por telescópios na Terra, de acordo com a ESA.

“Temos investigado este fenômeno intrigante e esperávamos ver agora justamente a formação desta nuvem”, disse Jorge Hernandez-Bernal, candidato a doutorado na Universidade do País Basco na Espanha, em comunicado da ESA.

Registro na nuvem AMEC em 2018. Crédito: ESA/GCP/UPV/EHU BilbaoRegistro na nuvem AMEC em 2018. Crédito: ESA/GCP/UPV/EHU Bilbao

A AMEC se forma todos os anos na época do solstício de verão do sul do planeta, quando o hemisfério sul de Marte recebe a maior quantidade de luz do dia. A nuvem se forma no início da manhã, acumula-se nas próximas horas e depois se dissipa rapidamente. Esse ciclo meteorológico de nascimento e morte normalmente dura cerca de 80 dias.

Hernandez-Bernal disse que “ainda não sabemos se as nuvens são sempre tão impressionantes”, pois as observações em close da AMEC começaram há 11 anos.

O último ciclo da AMEC aconteceu há dois anos. Observações anteriores foram conduzidas pela Mars Express em 2015, 2012 e 2009. As estações em Marte duram o dobro do tempo na Terra, pois um ano em Marte dura 687 dias terrestres, daí os longos “atrasos” entre os ciclos anuais da AMEC.

A formação dessas nuvens de gelo de água pode ter algo a ver com a quantidade de poeira presente na atmosfera marciana, mas os cientistas têm muito a aprender sobre essas gigantescas nuvens alongadas, como quando apareceram pela primeira vez e por que se formam tão cedo pela manhã.

Marte não é o único planeta com nuvens intrigantes. As formações atmosféricas de Júpiter são ainda mais impressionantes, com redemoinhos e torções hipnotizantes.