Às 20h e 4 minutos o Brasil já sabia que Dilma Rousseff havia sido eleita presidente. O resultado apareceu em tempo recorde: em 2002, só soubemos a vitória de Lula depois das 23h. Em 2006, foi depois das 22h. Hoje soubemos a tempo de ver aquela matéria gigantesca no Fantástico. Se há alguma coisa que os brasileiros podem se orgulhar, definitivamente, é do nosso sistema eleitoral. A tecnologia, mais presente nestas eleições, também serviu para o mal.

Não há qualquer indício de fraudes, a velocidade da apuração foi incrível e as pessoas puderam acompanhar os dados em tempo real, de sites ou de apps para celular. Não há mais grandes histórias de compras de votos, seções que não "funcionam"  ou violência na boca de urna. E temos o que comemorar. Como disse o presidente do TSE, Ricardo Lewandovski, a velocidade do nosso resultado deve ser um recorde mundial. E nas próximas eleições podemos fazer o trabalho ainda mais rápido, com urnas biométricas, que verificam a identidade diretamente pela impressão digital – boa notícia para quem foi convocado para ser mesário. 

Se a apuração foi exemplar, a campanha foi a pior desde 1989. Aquele papinho de que brasileiro não se envolve em política virou mito bem questionável. Em mesas de bar, em blogs políticos ou em comentários de grandes portais e Twitter, as pessoas discutiram sobre política, colocando preferências de partido na frente de conversas sobre futebol ou Reality shows. Bom sinal?

O problema foi que a grande maioria dos brasileiros discutiu política de maneira totalmente equivocada. Muitos conversaram sobre as eleições – e usaram a internet demais para isso – como se falassem do time de futebol. "Petistas" e "Tucanos" viraram, para os comentaristas, massas homogêneas, com mil preconceitos associados. Aí os torcedores não discutiram propostas ou posições políticas. Na verdade, nem poderiam – o programa de governo de Dilma foi apresentado na última semana, e o final de Serra, com "projetos incorporados no segundo turno", sequer foi divulgado.

Havia muita expectativa sobre o uso da internet, ferramenta democrática em potencial. No fim, ela virou vetor do ódio. Montagens horrorosas no Youtube demonizavam candidatos e spams mentirosos convenciam os milhões de analfabetos funcionais, os que não conseguem duvidar de algum e-mail, a posições que nenhum dos candidatos defendia. Blogs "jornalísticos" que diziam falar de eleições cobriam apenas um lado, ignorando denúncias contrárias ou desmerecendo os acusadores. A credibilidade da tal "grande imprensa", muito por não declarar seu partidarismo, foi colocada em dúvida, e os membros de torcida organizada (não consigo chamá-los de partidários) acharam que é muito mais confiável um blog que agride candidatos a se informar assistindo a Globo ou vendo a Folha – mesmo que nenhuma das grandes denúncias (como o caso Paulo Preto ou Erenice Guerra) tenha se mostrado falsa. Atenção: não é.

Vi discussões terríveis e amizades feridas de pessoas defendendo dois candidatos que, honestamente, não valiam à pena. A proximidade permanente das redes sociais – e o mau uso delas – contribuíram para isso. Faça um favor a seus amigos e reúna os seus "oponentes" políticos do Facebook ou Orkut para uma cerveja/coca-cola. Na vida real temos a chance de ver o que nos une a nossos amigos, as nossas semelhanças.

O que nós aqui do Giz esperamos é que todos que discutiram eleições com tanto fervor continuem preocupados com o assunto – não para "derrotar" o "oponente", mas para fazer o País melhor. Cobrando promessas, estudando assuntos importantes, acompanhando as denúncias.

E, é claro, que Dilma, escolhida pela maioria dos brasileiros, faça um ótimo governo. Com a ajuda e fiscalização de todos. Toda a sorte do mundo para ela.

Os comentários deste post são liberados para discussão política, é claro. O que vocês acharam do resultado?