A Asus pode ter escapado do processo da Hasbro, mas os números divulgados no processo impedem que os taiwaneses tenham motivos para rir: o Transformer Prime, que para nós é o melhor tablet com Android disponível no mercado, teve apenas 2 mil aparelhos vendidos em pré-venda, e 80 mil deles serão enviados às lojas de todo o mundo nos próximos dois meses. Com a sobrancelha levantada, perguntamos: há espaço para tablets “premium” rodando Android?

Os números surgiram no meio do processo da Hasbro contra a Asus pelo uso da marca Transformer Prime e falam por si só:



Em 24 de fevereiro de 2012, a empresa recebeu menos de 2.000 pré-compras … e os pedidos de estoque das varejistas pelos próximos dois meses teve um total aproximado de 80.000 tablets.

O Transformer Prime é provavelmente o tablet mais completo e empolgante com Android que vimos por aí. Ele é uma versão muito melhorada do Transformer, que já era considerado um dos melhores. E esse foi o diferencial da Asus no caso: ela melhorou seu antecessor. Outras empresas já apostam em um caminho contrário: o Galaxy Tab 2, por exemplo, chega a ser inferior do que sua versão original. O Xoom 2, da Motorola, é muito semelhante ao primeiro Xoom. Aparentemente, ter tablets com Android a alto preço não vale mais a pena. O Tab, na versão de 32GB e com a compra do teclado destacável, custa a nada pequena bagatela de US$750.

E a própria Asus dá sinais disso: ela surge como provável parceira do Google na criação do “tablet Nexus”. Antes de tudo, precisamos pensar bem se esse será o nome do aparelho. Se nos smartphones a família Nexus é sinônimo do que há de mais novo em termos tecnológicos, as informações sobre o tablet Asus+Google dão conta de um aparelho com preço entre US$149 a US$199, com configuração menos potente e chamariz total no preço. Temos grandes dúvidas se o Google associará o nome ao aparelho (Phil Nickinson, editor do Android Central, também duvida). Mas divago.

O que importa é que enquanto o tablet com Android mais animal do mercado vendeu menos de 100 mil unidades, o Kindle Fire, da Amazon, com preço diminuto, já teria ultrapassado a marca de 4 milhões de unidades vendidas. Isso sem contarmos os números do verdadeiro concorrente do Prime — que vendeu 3 milhões de unidades em 3 dias. O que será dos tablets com Android daqui para a frente? Veremos um downgrade de configuração, com foco maior em preço, em busca do mercado perdido pelo Fire? Se uma compra de US$750 requer muitos debates internos para saber se vale a pena, um aparelho de US$149 pode ser uma popular compra de impulso. Ou os fabricantes continuarão tentando usar a mesma fórmula que falhou nos últimos tempos? [Paid Content]