Esta deve ser a moedinha mais valiosa do universo. Não pelo processo de fabricação, nem por ser rara. É porque ela embarcou na viagem a Marte que custou US$2,5 bilhões. Mas o que ela foi fazer lá?

A moedinha de 1¢ faz parte do alvo para calibragem da câmera MAHLI no robô explorador Curiosity.

O alvo fica preso a uma articulação no “ombro” do braço que segura a câmera. Ele contém seis áreas de cores: três brancas, mais três de cor vermelha, verde e azul. Abaixo disto, há um “gráfico métrico de barras padronizado”, e um padrão de escada para calibrar a profundidade. Você vê tudo isto na imagem acima.

Entre o gráfico e a escadinha, fica a moeda. Em geral, geólogos na Terra usam uma moeda de 1¢ para saber a escala em suas fotografias. Mas para que incluí-las quando já se tem uma escala métrica precisa?

De acordo com Ken Edgett, um dos responsáveis pela câmera MAHLI no Malin Space Science Systems, esta é “uma pequena homenagem à prática informal de geólogos colocarem uma moeda ou outro objeto de escala conhecida em suas fotografias”.

Na verdade, foi o próprio Edgett que comprou esta moedinha especial para colocar no rover. É uma moeda “VDB” de 1909, “do primeiro ano que se cunhou moedas de Lincoln, pelo centenário do nascimento de Abraham Lincoln, com as iniciais VDB do criador da moeda – Victor David Brenner – na parte de trás”.

É esse o tipo de engajamento que engenheiros da NASA têm com seus projetos.

A moedinha serve para calibrar a câmera MAHLI, que você vê acima. Esta foto foi capturada depois que cientistas do Jet Propulsion Laboratory ordenaram ao robô que levantasse seu braço robótico até a altura da cabeça. Então a MastCam, outra câmera do robô, tirou a foto e enviou à Terra. Ela ficou bem nítida e bonita – essa é a qualidade pela qual todos estávamos esperando.

De acordo com a NASA, dá para ver “uma fina camada de poeira marciana” na lente, “acumulada durante a descida final do Curiosity à superfície de Marte, quando os motores… estavam perturbando a superfície ao redor”.

O círculo avermelhado próximo ao centro da imagem… é a janela da cobertura contra poeira da MAHLI, com diâmetro um pouco menor que o de uma latinha de refrigerante. Dentro da lente, cada um dos nove elementos da lente (de vidro) e a janela frontal (de safira) ficam presos por um silicone vermelho… Esta é uma “cola” adequada ao espaço que mantém os elementos da lente no lugar. Quando a MAHLI é vista de certos ângulos, o material dá a impressão de que o interior da lente é vermelho.

À direita, você vê a ferramenta para remoção de poeira do Curiosity: uma escova motorizada de fios de aço, de acordo com a NASA. A remoção de poeira, no entanto, não serve para limpar as lentes de nenhuma câmera do rover. Seus criadores, a Honeybee Electronics, dizem que ela foi feita para “expor as superfícies naturais de rochas marcianas obscurecidas por camadas de poeira depositadas por processos eólicos”. Ou seja, basicamente é para limpar rochas de Marte. [NASA e JPL]