O Ars Technica é parada obrigatória quando alguém está atrás de reviews mais técnicos e profundos sobre novos produtos. Passei um pedaço da noite de ontem e a manhã de hoje lendo a resenha deles sobre o Mac OS X 10.7 Lion, nova versão do sistema operacional que a Apple começou a vender ontem – e que teve uma boa ou má recepção, dependendo de onde você lê. Donos de MacBooks e iMacs que querem entender os meandros das novas interfaces, decisões filosóficas e avaliar a performance podem querer ler o calhamaço em PDF, e-book (por US$ 5) ou 19 páginas na web (vale a pena!). Mas mesmo quem não usa o sistema pode pular para as interessantes conclusões:

John Siracusa, autor do artigo, diz que este update é uma mudança bastante profunda, como foi há 10 anos com o Mac OS X, que “mudou as regras para o desktop, casando gráficos semitransparentes, animações suaves e arte fotorrealística em uma fundação Unix sólida”. Mesma coisa para a mudança de paradigma do iOS, 4 anos atrás. O que o Lion faz é casar as visões da Apple para desktops e mobile, como muitos falaram. Mas, mais do que isso, a ideia é tirar o foco de uma vez por todas do hardware para as aplicações e sua interface. Essa é a conclusão do review do Ars:

O Mac sempre vai ser mais capaz que seu irmão mobile, mas isso não significa que tarefas simples devam ser mais difíceis no Mac. Imagine ser capaz de deixar um neófito em computadores se virar na frente de um iMac com a mesma confiança que você o faz com um neófito à frente de um iPad hoje.

Os detalhes técnicos do sistema operacional da Apple já foram tão importantes que praticamente definiram sua existência (exemplo: proteção de memória e multitarefa preventivo), mas são coisas que você já dá como certo hoje. Os grandes jornais e sites que fazem resenha de hardware e software hoje gastam bem menos tempo ponderando sobre especificações técnicas e detalhes em comparação a alguns anos atrás.

Este fenômeno se estende até a alguns geeks entre nós. Amigos geeks, perguntem a vocês mesmos, vocês sabem o clock do CPU do dispositivo no qual você está lendo isso? Você sabe quanto de RAM ele tem? E que tal a velocidade do barramento de memória? Agora considere quais seriam suas respostas alguns anos atrás.

Ao longo da última década, o melhoramento da tecnologia simplesmente reduziu o número de coisas as quais nós precisávamos nos preocupar. O Lion é uma tecnologia melhor. Ele marca o ponto em que as novas versões do Mac OS X param de ser definidas pelas coisas que são adicionadas. A partir de agora, o Mac OS X será julgado pelo que é removido.

Eu compartilho da visão de Siracusa. Uso o Mac OS X diariamente há apenas 5 meses e o julgo não pelos detalhes técnicos, mas o simples “quantos % de tempo a menos eu gasto aqui para executar tal tarefa e qual o nível de frustração”, incluindo no pacote a estabilidade. No fim do dia, a diferença entre ele e o Windows 7 é bem menos forte do que fanboys podem fazer acreditar. Um dia tentarei me aprofundar no assunto, mas não é “outro mundo”.  Um Windows 7 bem configurado rodando num hardware de preço semelhante tem performance bastante parecida – e tem algumas vantagens legítimas (jogos, possibilidade de rodar em hardware mais barato, por exemplo). Acho o Mac OS X estupidamente rápido, mas tenho noção de que isso acontece um bocado por causa do meu hardware – um MacBook Pro 2011 com Sandy Bridge.

Isto posto, estou adorando o Lion, porque desde que comprei o MacBook Pro aprendi a não usar o mouse. Quando nosso amigo ex-editor-chefe do Gizmodo US, Brian Lam se perguntou por que as pessoas ainda usavam o mouse, achei a questão absurda. Agora, mais ainda com os novos gestos do Lion, a coisa parece fazer sentido no trackpad – de longe, pra mim, o maior diferencial a favor dos MacBooks. Eu faço mais em menos tempo aqui, de maneira mais intuitiva, pelo jeito que trabalho, e é isso que importa.

Donos de Mac com Lion, o que estão achando? Quem usa outro OS, vocês acreditam que novos sistemas serão mais enxutos e simplificados ou ainda há muito a acrescentar?

[Ars Technica]