Novos resultados mostram que o segundo visitante interestelar já observado é um objeto surpreendentemente familiar, de acordo com uma nova pesquisa.

Os cientistas anteciparam a chegada de um objeto de fora do nosso sistema solar por décadas, mas o primeiro documentado, 1I/’Oumuamua, foi contra todas as expectativas: era um asteroide, não um cometa. O segundo, chamado 2I/Borisov e que foi visto em agosto, parece muito mais em linha com as nossas expectativas.



“’Oumuamua parecia um asteroide, mas Borisov é um cometa – tem uma cauda longa e definida e um coma no meio”, disse o autor do estudo Michał Drahus, astrônomo da Universidade Jagiellonian, na Polônia, ao Gizmodo. “Isso é importante, porque muitos especularam que o espaço interestelar deveria ser ocupado principalmente por cometas”.

Geralmente, asteroides são objetos rochosos que se formam mais perto de sua estrela mãe. Os cometas, em vez disso, são objetos gelados que se formam mais longe de sua estrela. Os dois diferem na composição elementar, bem como na forma como aparecem quando vistos da Terra; quando um cometa se aproxima de uma fonte de energia como o Sol, ele se aquece e o gelo vira gás e poeira, transformando-se em um coma semelhante a uma atmosfera e em uma cauda difusa. Os astrônomos assumiram que objetos interestelares seriam mais como cometas, uma vez que, logicamente, um sistema solar teria mais probabilidade de perder seus objetos mais externos para o espaço.

Mas quando o primeiro objeto interestelar, ‘Oumuamua, chegou em 2017, surpreendeu totalmente os cientistas. Ele parecia não ter um coma ou uma cauda (embora o debate tenha continuado por algum tempo sobre ele ser realmente um cometa ou um asteroide).

Cometa Borisov, fotografado pelo telescópio Gemini North. Imagem: Observatório Gemini/NSF/AURA

Quando o astrônomo amador Gennady Borisov avistou o novo objeto em 30 de agosto, outros astrônomos de todo o mundo acompanharam ansiosamente para ver se o segundo objeto interestelar traria mais surpresas ou se provaria que ‘Oumuamua é um ponto fora da curva. Uma equipe de cientistas da Polônia e da Holanda observou o objeto com o telescópio William Herschel nas Ilhas Canárias e o telescópio Gemini North no Havaí. E, além de sua órbita demonstrar que ele se originou fora do sistema solar, o cometa 2I/Borisov era “normal”, de acordo com os novos resultados publicados na Nature Astronomy. 

“Borisov é um objeto que parece surpreendentemente familiar”, disse Drahus ao Gizmodo. Além de sua trajetória incomum no espaço, o objeto é indistinguível dos cometas típicos do sistema solar – o que torna ‘Oumuamua ainda mais interessante, uma vez que era claramente pouco familiar.

Mas essas são apenas estimativas iniciais. Há muitas outras medidas que os cientistas esperam fazer. A espectroscopia, ou os comprimentos de onda da luz que o objeto emite, bem como observar como o brilho muda ao longo do tempo, pode fornecer pistas sobre os tipos de material no cometa. Felizmente, o cometa foi visto em sua entrada, o que dará aos cientistas mais tempo para estudá-lo antes de ele deixar o sistema solar.

O cometa 2I/Borisov certamente não será o último objeto interestelar que veremos. Os cientistas estimam que a tecnologia humana é capaz de detectar um objeto interestelar por ano, de acordo com o novo artigo. Esperamos aprender muito mais sobre esses objetos estranhos em breve.