Eu testei praticamente todas as versões do Oculus Rift até agora. Desde protótipos com fita adesiva até o mais recente modelo de desenvolvedor DK2, além do Samsung Gear VR. Nenhuma dessas versões me preparou para a mais recente demonstração Crescent Bay. Acabei de experimentar um dos melhores jogos da minha vida. Eu quero mais.

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O protótipo Crescent Bay

Você ainda não pode comprar um Oculus Rift, mas estamos chegando bem perto disso. Ontem, a Oculus anunciou um novo protótipo que é um grande passo para o futuro. Não temos ainda as especificações técnicas do novo modelo, mas ele tem resolução melhorada em relação ao apresentado no começo do ano, e rastreamento em 360 graus – o que significa que você pode girar a sua cadeira sem se sentir enjoado no processo.

O Oculus ainda é projetado para ser usado sentado, mas os protótipos novos são bem mais leves e confortáveis do que o DK2, e foi uma experiência fantástica andar por uma sala pequena. Quase esqueci que ele estava na minha cabeça, se não fosse pelo cabo limitando meus movimentos. A resolução é notoriamente superior à do Samsung Galaxy VR, e até consegui enxergar pixels, mas precisei prestar bastante atenção para isso. Rapidamente esqueci que tinha uma tela na minha frente. Isso nunca aconteceu com nenhum outro dispositivo de realidade virtual que eu testei anteriormente.

Pela primeira vez, o dispositivo ganhou fones de ouvido integrados (e opcionais), que se ajustam em todas as direções para ficarem confortáveis. A Oculus diz que áudio posicional 3D será um componente importante da realidade virtual a partir de agora. “Começando hoje, estamos trabalhando em áudio tão agressivamente como já fazemos no lado da visão,” disse o CEO Brendan Iribe. Eles também estão licenciando o software de áudio RealSpace3D.

“[O protótipo Crescent Bay] é um salto enorme como o que demos do DK1 para o DK2,” diz Iribe. “Esse protótipo mostra a qualidade, os recursos e a presença que precisamos entregar aos consumidores de realidade virtual.”

Testando o novo Oculus Rift

A Oculus não permitiu que eu tirasse nenhuma foto ou vídeo da unidade ou das demonstrações, então descreverei a experiência abaixo.

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Você começa em uma área de carregamento que é bem impressionante por si só: você está à beira de uma plataforma redonda estilo Tron, na frente de uma imensa queda por um túnel. Andar para frente e me inclinar e olhar para baixo me fez sentir vertigem pela primeira vez na realidade virtual. Foi pouco, mas convincente. Parte de mim estava naquele mundo. Mas as coisas estavam apenas começando.

Em seguida, estava no convés de comando de um submarino, com um periscópio gigante na minha frente, e válvulas e medidores para todos os lados. O piso reluzente e imaculado parecia como se tivesse sido recentemente esfregado, e efeitos de luzes fantásticos estavam por todos os lugares. Eu conseguia ver os pixels se olhasse com bastante atenção, mas a experiência era em alta definição: o Crescent Bay claramente oferece altíssima resolução e maior fidelidade do que o DK2 anterior e até mesmo do que o Gear VR. É tão bom que eu esqueci que estava olhando para uma tela por quase toda a minha experiência subsequente.

Eu queria pegar uma válvula, mas a demonstração acabou e eu segui em frente.

Um pequeno T-Rex com olhinhos redondos e dentes gigantes me cumprimentou na sala seguinte, um espaço preto com nada para ver, além do próprio dinossauro. Ele era um pouco menor do que eu, parecia que facilmente conseguiria arrancar um dos meus braços se eu me aproximasse demais. Foi então que percebi o que podia fazer: eu andei até ele e olhei em torno da sua cabeça. Ele cheirou, me procurando, e por um momento eu me senti realmente cauteloso. Não com medo, mas é um começo.

Gizmodo

Então era hora de algo completamente diferente: um mundo incrivelmente charmoso e minimalista cartunesco onde uma adorável raposinha, um alce e um coelho se sentavam em torno de uma fogueira, cercados pela natureza feita inteiramente de polígonos visíveis. Pense em Super Mario 64. À minha esquerda, um riacho borbulhante cuspia triângulos brancos planos de espuma conforme a água caia de uma cachoeira. Com o objetivo de ver meus novos amigos animais mais de perto, me abaixei e sentei na grama logo em frente a eles (!). Compartilhamos a fogueira, nós quatro, por alguns momentos. Era serenidade, paz e relaxamento genuíno após um dia cheio de trabalho. Eu queria ver mais. E o que vi em seguida me impressionou ainda mais.

De repente, eu estava no topo de um arranha-céu, ajoelhado sobre a borda do mundo. Abaixo de mim estava uma Gotham City digna de qualquer Batman, escura e sombria e claramente cheia de maldade à espera de ser vencida. No calor do momento, no entanto, estava mais preocupado em quão perto eu estava da queda para a minha desgraça. Por puro instinto, me puxei de volta do precipício, me virei cuidadosamente e peguei uma grade de metal por perto para me ajudar a levantar. Só que não tinha nenhuma grade de metal, já que eu estava na realidade virtual, e minha mão não pegou nada. Rapaz. À minha frente, uma reluzente torre da Oculus parecia rir do meu erro. Atrás de mim, um cartaz com o fundador da Oculus Palmer Luckey sorrindo me lembrou quem era o chefe. Os donos daquele mundo me enganaram, e quando olhei para um enorme dirigível que apagava parte do céu, prometi para mim mesmo que não me enganariam novamente.

E então, um inseto gigante apareceu no meu rosto, ampliado para proporções gigantescas. Uma nova demo. O inseto gigante não se mexia, então consegui ver bem de perto suas antenas magníficas e as lentes hexagonais dos seus olhos. Girando em 180 graus, eu vi células de sangue brancas e vermelhas dançando ao redor. Não era muito, mas é um bom exemplo de quão incrivelmente fascinante a realidade virtual pode ser para estudar objetos em miniatura.

E quando o pensamento de miniaturização passou pela minha cabeça, me encontrei em uma existência estilo Alice no País das Maravilhas. Em uma pequena sala preparada para serviço de chá, uma chaleira reluzente de porcelana e um conjunto de xícara e pires me atraíram com sua harmonização de ouro. Eu estava de frente para um espelho gigante extravagante segurado por estátuas de querubins de ouro com uma estrutura maciça. Uma adorável cornija abaixo do quadro segurava uma tigela de frutas. Será que eu me vejo refletido no espelho? Não, uma máscara de porcelana, que se movia perfeitamente acompanhando meus movimentos. Eu era o Homem Invisível. Me aproximei do espelho, o suficiente para admirar seu acabamento em ouro, tão perto que tanto eu quanto a máscara tocamos o vidro. Infelizmente, a ilusão terminou.

A demonstração seguinte era um mapa topográfico 3D impressionante, algo como o que vimos no centro de comando em Avatar: vermelho, posicionado em uma grade 3D, com nós que irradiam energia em direção ao céu. Gosto de pensar que eles representam usinas e que eu poderia enviar tropas para atacar e capturar.

Na superfície de um planeta rochoso e branco, estive de frente com uma criatura alienígena humanoide com mais ou menos a minha altura. Ele acenou! Primeiro contato. Ele me avaliou conforme em admirava a cena estilo Destiny, luas gigantes eclipsando o planeta onde eu estava. Sua nave, pairando a distância, soprando partículas do chão, parecia bastante tranquila. E então dei um passo para frente. Sua cabeça me seguiu. Ele me empurrou para trás, alarmado! Ao se acalmar, começou a falar comigo em uma língua alienígena. Não consegui entender as palavras.

Eu estava muito ocupado me inclinando para frente para investigar uma cidade em miniatura que surgiu na minha frente. Neste novo mundo, flutuei pelo céu entre as nuvens, assim como uma pequena cidade feita inteiramente de papel dobrado. Pequenos cidadãos se locomoviam pela cidade, carros em miniatura dirigiam nas ruas, e o mais fofinho avião que você verá na vida passou bem ao lado da minha orelha. Me virei para segui-lo com um dedo imaginário. Um pequeno disco voador destruiu um prédio, incendiando-o, e um pequeno caminhão de bombeiros veio para salvar o dia, com sua mangueira de água minúscula que lançava pequenas gotas de água nas chamas. SimCity encontra LittleBigPlanet. Não vejo a hora de jogar isso.

Lembra-se do pequeno T-Rex? Ele não é mais tão pequeno. Em um museu abandonado cheirando Jurassic Park, eu estava imóvel enquanto o dino caiu no corredor à minha frente. A terra não tremeu tanto quanto eu imaginava, quebrando um pouco a ilusão, mas assim que suas mandíbulas gigantes se aproximaram e começaram a me cheirar, fantasticamente animado, parte do sentimento de presença voltou. Em vez de tentar me engolir, ele rugiu, correu por mim e – eu não podia fazer nada, ele estava vindo em minha direção – esquivei sua perna poderosa direita para não ser pisoteado.

A demo seguinte demorou um pouco para carregar, mas fez isso em uma área de espera de realidade virtual que me manteve concentrado: um lugar estilo Tron com círculos concêntricos de luz que se estendem do chão ao teto, formando um túnel infinito feito de portais. Mais uma vez, eu contemplava o que poderia acontecer se eu pulasse das extremidades.

Mas não precisei fazer isso: a demonstração seguinte me colocou em uma contração ciberespacial impressionante e monumental. Em uma esfera azul gigante, do tamanho de um quarteirão de uma cidade, quebrada em pedaços irregulares de circuitos alienígenas, e cada pedaço azul pulsava com energia elétrica mal contida. A demonstração me puxava para dentro daquilo. Eu ia cada vez mais para dentro, através de camadas e camadas e artefatos alienígenas, passando por cada portão no tranco. Acima e abaixo de mim, eu via uma queda incrível, através de todas as camadas concêntricas da construção gigantesca. Para ser franco, eu me entediei um pouco com o voo longo e não-interativo.

Mas a Oculus guardou o melhor para o fim. O logo da Unreal Engine 4 apareceu rapidamente, e deu lugar a uma tela preta. Então, em um slow motion maravilhoso que faria os Irmãos Wachowski se envergonharem, eu literalmente esquivei de uma bala. Eu vi uma onda de choque em cima da hora e me puxei para fora do caminho. Ela passou muito longe. Eu estava em uma rua de cidade em um bullet-time suave. Os soldados ao meu redor com rifles de assalto estilo Gears of War atiravam em algo à distância: um robô quadrúpede gigante com lançadores de mísseis guiados nos braços e um olhar ameaçador no seu rosto. Um dos mísseis subiu pela direita e bateu em um pilar de concreto que segurava a linha de trem urbano acima da rua. Pedaços gigantes de rocha voaram por mim e meus companheiros. Mas, armado com meu tempo de reação inumano, eu passei pela minha equipe de ataque e por cada um dos projéteis mortais como se fosse um super-herói.

Quando um segundo míssil atingiu um carro de polícia futurista, lançando o carro em minha direção (assim como centenas de pedaços de vidro quebrado), eu fisicamente caí no chão da vida real e deslizei por ele, olhando para os infelizes policiais presos dentro da estrutura de metal retorcido. Uma das xícaras de café ricocheteou no chão, e eu alcancei-a para agarrá-la enquanto deslizava, pensando quão maneiro eu pareço ao beber um pouco de café enquanto caminho para meu confronto final.

Me levantei, de frente para o robô gigante. Olhei em seus olhos. Ele rugiu. Eu me preparava para dar o mais incrível Shoryuken de Street Fighter da história dos Shoryukens.

A demonstração acabou.

Planos gerais

Gizmodo

Além do novo hardware, a Oculus passou um tempo ontem falando sobre seus planos gerais para a realidade virtual – caso você esteja confuso com o fato deles estarem fazendo ao mesmo tempo um dispositivo para PC e um para smartphones com a Samsung.

A resposta: o ideal é perseguir os dois! “Vemos essas duas categorias a caminho de convergir, sobrepor, mas não uma substituir a outra,” diz Iribe. “Realidade virtual móvel continuará a complementar a de PC. Acreditamos fortemente que é importante liderar os dois caminhos para fazer isso direito.”

O lado mobile está aquecendo: a empresa tem plano de criar lojas de apps de realidade virtual para iPhone, Android e Windows Phone, e uma específica para o Samsung Gear VR, além de experiência em navegador de web.