No início do mês, a Oi lançou uma campanha nacional avisando a todos: não existe essa de levar celular de graça. Afinal, o valor do aparelho é embutido na sua conta, sem você saber ou escolher. Parece que a campanha surtiu efeito na concorrência: eu tive dificuldade em achar ofertas onde o celular saía “de graça” na Claro e na Vivo; a TIM, por sua vez, não oferece desconto no celular há um bom tempo. Mas será que, depois de tanto alarme, é melhor comprar um celular na Oi que na concorrência, considerando aparelho e assinatura? Fizemos as contas.

Antes de tudo: fazer as contas e decidir qual a melhor operadora baseado nos custos está cada vez mais difícil. Existem fatores demais a se considerar: qual plano comprar? Qual o preço do aparelho se for este plano? E aquele? Em quantas vezes posso parcelar o aparelho? Quando acaba a promoção do plano e eu pago o valor cheio? Entre celulares, planos, promoções e prazos, o excesso de opções parece confundir o consumidor, em vez de dar mais vantagens.

Dito isto, vamos às comparações. Escolhemos um aparelho básico (Motorola Motokey EX115), um médio (Sony Ericsson Xperia X10 Mini Pro, com teclado) e um top (Samsung Galaxy S) nas quatro operadoras – exceto o Motokey na Claro. Para calcular o Custo Total de Posse, ou CTP, consideramos o quanto você gasta por 18 meses, para capturar a mudança na mensalidade depois que você termina de pagar o aparelho. Em lojas físicas do Rio de Janeiro, onde consultamos os preços, a Oi parcela o celular em até 15 vezes; a TIM parcela em 12x; a Claro, em até 10x; e a Vivo, em até 3x.

O Motokey foi vendido “de graça” pela Vivo no plano Smartphone 60, então o exemplo foi ótimo para comparar os preços. Veja a tabela abaixo (clique para ampliar):

O resultado: o plano da Vivo, com as amarras de um contrato de 12 meses, tem quase o mesmo CTP que a Oi. Ou seja, o aparelho com certeza não é de graça. A TIM custa mais barato que as duas, mas porque estamos vendo um plano controle: se você fala muito com celulares de outras operadoras, vai gastar mais na TIM.

Para a Oi, escolhemos o plano Oi 60 com plano de dados de 30MB, mais ou menos equivalente ao plano Smartphone 60 da Vivo. Só que o custo do plano é de R$47,93, enquanto a Oi vende o À Vontade 110 com 200MB a R$48. Então ficamos com o plano melhor. Colocamos os dois na tabela.

E a TIM não tem um plano equivalente ao Smartphone 60: o mínimo seria o Infinity + 100 com internet ilimitada (velocidade cai após 300MB). Para deixar a comparação mais justa, usamos o plano Infinity Controle com internet ilimitada a R$0,50 por dia: como a TIM não tarifa por minuto as ligações para TIM e fixo, os R$32 de crédito podem render até 128 ligações. E a internet? Supomos que você carrega o aparelho com mais R$15 todo mês para usá-la.

Agora, o Xperia Mini Pro (clique para ampliar):

A situação mudou bastante: a Oi agora tem o menor custo total de posse, cerca de R$1.000 mais barato que a concorrência. A Vivo é a mais cara, mas vale lembrar que estamos usando, para a TIM, o plano Infinity + 100 (versus planos de 200 minutos das outras operadoras). Se a promoção for prorrogada, o CTP cai para R$2.400, ainda mais alto que na Oi. E a Claro, mesmo com seus caros Planos Sob Medida, tem um CTP semelhante às outras.

Para comparar planos iguais, escolhemos o Vivo Smartphone 200 (que oferece 250MB de cota), o Oi À Vontade 220 com 200MB, e na Claro, o pacote 200 minutos para qualquer operadora mais 100 SMS mais 250MB. Para a TIM, nós “pegamos leve” escolhendo o Infinity + 100 (em vez do Infinity + 200) porque você pode fazer ligações gratuitas de TIM para TIM – a Vivo e a Claro não oferecem isto, e a Oi só dá minutos para Oi e fixo “depois que a franquia de minutos acabar”. Mesmo escolhendo um plano “diferente” na TIM, o valor é mais alto que na concorrência.

O Samsung Galaxy S segue na tabela abaixo (clique para ampliar):

Novamente, o aparelho sai mais barato na Oi. Na Vivo, o custo de posse é 15% maior. Agora, a TIM tem o maior CTP, mas apenas porque consideramos a mensalidade bastante alta; se o desconto se mantiver, o CTP cai para R$3.100, semelhante ao da Oi. A Claro fica em segundo lugar, com custo 11% maior que na Oi.

Qual a conclusão disso tudo? Bem, a campanha da Oi para revelar que “aparelho grátis não existe” parece ter surtido efeito: só consegui achar, às vezes, um ou outro aparelho ruinzinho custando R$0 com plano pós-pago. Só que aparelhos com desconto no plano seguem existindo – na Vivo e na Claro – e sem a transparência de que eles na verdade têm um preço, só que diluído nas mensalidades. E o problema, que talvez pudesse ser melhor comunicado pela Oi, é que se você “esquecer” de trocar de aparelho depois de 1 ano e meio, você vai continuar pagando as prestações embutidas na conta.

Em geral, ganhamos com a transparência da Oi: você pode ter a liberdade de cancelar seu plano com a operadora e não pagar a mais por isso. Foi o caso, acima, do Motokey: ele custam quase o mesmo na Vivo (com multa antes de 12 meses) que na Oi. Mesmo com aparelhos mais caros, o custo total de posse foi menor na Oi. Isso pode variar: em certos casos, pode ser melhor deixar a operadora “esconder” o valor do aparelho – pensando no seu bolso, em vez da “liberdade”, o desconto aí pode valer a pena.

Claro que, no final, a escolha vai depender não só do custo, e sim da qualidade da operadora onde você mora: não adianta a Oi ser “transparente” se não oferecer um serviço aceitável onde você precisar. Celular nunca é de graça; melhorar a qualidade das operadoras, no entanto, pode custar bilhões.

Post atualizado com correção nas tabelas

Os preços foram consultados no Rio de Janeiro, entre os dias 21 e 25 de maio de 2011, e consideram um plano pós-pago para novo cliente, sem portabilidade. As tabelas estão nesta planilha do Google Docs, que você pode copiar para você e então editar.