A Portugal Telecom é presença constante no Brasil há pelo menos dez anos. Ela era coproprietária da Vivo até 2010, quando vendeu sua parte e se tornou uma das principais acionistas da Oi. Agora, as duas empresas vão se fundir para criar uma gigante global das telecomunicações.

A Oi e a Portugal Telecom assinaram um memorando de entendimento que, na prática, firma a fusão entre as duas. A nova empresa se chamará CorpCo e terá sede no Brasil.

As duas empresas já eram muito próximas: Zeinal Bava comanda as operações da PT em Portugal e da Oi no Brasil; ele será o presidente da CorpCo, “o operador líder nos países de língua portuguesa”. São mais de 100 milhões de clientes distribuídos por Brasil, Portugal, Macau e alguns países da África.

Por que a fusão? Em comunicado, a Oi explica que isso ajuda a obter empréstimos (uma empresa maior dá mais garantias), reduz riscos na hora de apostar em produtos/mercados diferentes, e mais.

Mas, como aponta a Reuters, a situação financeira da Oi não andava muito boa: ela tem uma dívida líquida de quase R$ 30 bilhões, mas precisa acelerar os investimentos no Brasil, incluindo a expansão do 4G. Além disso, ela teve recentemente um prejuízo acima do esperado; a Portugal Telecom, por sua vez, continua a lucrar trimestre após trimestre.

O que a fusão muda para você? Inicialmente, não muito: as marcas da Oi e PT continuarão as mesmas, por exemplo. Mas isto pode ser algo bom para o futuro: em tese, como a Oi se fortaleceu, ela terá condições de investir em sua rede e fazer melhorias na cobertura.

Por outro lado, isto indica uma tendência de “consolidação”: há cada vez menos empresas de telefonia, o que pode ser prejudicial para a concorrência. Na semana passada, a Telefônica (dona da Vivo) anunciou que aumentaria sua participação na Telecom Italia (dona da TIM). Dessa forma, ela se tornaria sócia majoritária de duas operadoras no Brasil, mas o governo federal e a Anatel não gostaram nem um pouco da ideia.

A fusão da Oi e Portugal Telecom deve ser concluída no primeiro semestre do ano que vem, após a aprovação dos órgãos regulatórios. [Folha, G1, UOL]

Foto por Barbara Eckstein/Flickr