Mais uma operadora começa a oferecer planos de banda larga 4G: é a On Telecom, com investimentos do bilionário George Soros e conexão de banda larga “fixa móvel” para algumas cidades do interior de São Paulo.

A On começou seus testes em março na cidade de Itatiba e conta com 3 mil clientes. Agora começa sua expansão para outras cidades paulistas: ela estreará em breve em Campinas, e pretende chegar a 133 cidades dentro do estado nos próximos anos.

A empresa foi fundada no ano passado por Farès Nassar e Zaki Rekib, e contará com investimento de US$ 150 milhões do Soros Fund Management, de George Soros. Com a ajuda do bilionário, a empresa comprou a Sunrise Telecomunicações e arrematou lotes dos DDDs 12 e 19 no leilão da 4G feito pela Anatel no ano passado. Isso possibilita a oferta nessas cidades do estado de São Paulo, o foco inicial da ação da On.

Banda larga fixa, porém móvel?

A On oferece planos 4G, mas não é como os planos de Claro, Vivo, Oi e TIM, por exemplo. Você não recebe um chip, coloca no smartphone e se conecta onde estiver. A internet oferecida pela On foi pensada para ser usada em casa, como já faz a Sky, por exemplo.

Ao contratar um plano, o usuário recebe um modem. Este modem recebe o sinal do 4G e transmite via rede Wi-Fi, permitindo que qualquer pessoa na casa possa se conectar, como um modem de banda larga fixa costuma fazer (às vezes com a ajuda de um roteador para o sinal Wi-Fi, às vezes sem). A diferença é que o serviço da On não exige cabos – ou melhor, exige apenas um, que é para ligar o aparelho na tomada. Com o modem ligado à rede elétrica, você pode navegar. Simples assim. E o modem – um modelo da Huawei – também conta com uma bateria interna: se você ficar sem luz na sua casa, pode continuar usando internet por até quatro horas (no tablet, notebook ou smartphone). E se quiser levar o modem para outro lugar, tudo bem: basta ligá-lo na tomada da casa de um amigo, por exemplo, para se conectar (considerando, é claro, que a casa do seu amigo esteja na área de cobertura da On).

Interessante, não? Mas uma conexão 4G sem o principal benefício da internet móvel (que é a mobilidade, você poder se conectar em qualquer lugar a partir do smartphone) deve ser mais barata do que os planos tradicionais de 4G, certo? Bem, não. Os valores cobrados pela On não são muito diferentes do que Claro e Vivo cobram no estado de São Paulo:

Portanto, o serviço da On junta um pouco do inconveniente da banda larga fixa (conexão disponível apenas para quem está perto do modem) com os preços altos do 4G. Mas vale destacar que um dos objetivo da On é chegar a lugares onde a rede por cabos não está disponível – nesses lugares, a oferta de internet rápida é bem baixa, e nesse caso o serviço da On pode ser vantajoso.

A expansão para outras partes do Brasil não está descartada. A On tem interesse em adquirir faixas de MMDS renunciadas pela Vivo e Claro, o que possibilitaria a ampliação do serviço para outras regiões. E a On também pode participar de futuros leilões da Anatel para arrematar novas faixas. Mas, por enquanto, o foco da operadora vai ser se consolidar em áreas do interior de São Paulo.