O time da espaçonave OSIRIS-REx, da NASA, decidiu em qual localização irá coletar uma amostra do asteroide Bennu. Será em uma cratera de 140 metros que foi batizada de “Nightingale”, ou “Rouxinol”, traduzindo para o português.

O anúncio veio após um processo de seleção que demorou meses e envolveu quatro crateras com nomes de pássaro: maçarico-ocidental, águia-pescadora, guarda-rios e rouxinol — todas aparentemente sem grandes riscos.

Os pesquisadores da OSIRIS-REx escolheram a cratera Rouxinol devido a abundância de partículas finas em uma área que será de (relativo) fácil acesso e coleta, conforme explicou Dante Lauretta, pesquisador principal da missão, na Universidade do Arizona em Tucson, em um comunicado da NASA.

A cratera tem 140 metros de diâmetro e está localizada no hemisfério norte de Bennu. A localização e a idade relativamente nova dela significa que o material possivelmente estará preservado e inalterado em relação à formação de Bennu nos primeiros dias do sistema solar.

A OSIRIS-REx não aterrissará no local; em vez disso, se aproximará do asteroide, pegará uma amostra e irá embora em menos de cinco segundos. A nave será capaz de realizar três tentativas de coleta.

Bennu é um asteroide cheio de carbono de 492 metros de diâmetro, orbitando o Sol a uma distância similar à da Terra. Essa órbita faz com que o asteroide esteja a uma distância relativamente próxima a nós — perto o suficiente para que os cientistas da NASA calculem uma chance de 1 em 2.700 de o asteroide colidir com a Terra entre 2175 e 2199.

A missão OSIRIS-REx foi lançada em setembro de 2016 e chegou a Bennu em dezembro do ano passado. A missão é a primeira da NASA que trará de volta amostras de asteroides e, se bem-sucedida, trará a maior amostra de material extraterrestre desde a Apollo.

O material de asteroides de carbono como Bennu pode servir como um registro do tipo de matéria presente no sistema solar primitivo e talvez isso responda a perguntas sobre a origem da água e da vida na Terra.

A cratera Rouxinol não está livre de riscos. A parte da cratera que é segura para aterrissagem tem apenas 16 metros de diâmetro, e há uma rocha grande na borda que pode ser um perigo para o momento após a coleta, de acordo com o comunicado da NASA.

A equipe da OSIRIS-REx escolheu a cratera águia-pescadora como um local de backup, caso a nave precise abortar sua primeira tentativa de aterrissagem.

Como observador de pássaros, estou contente com a escolha desses nomes para crateras em um asteroide que tem o nome de um deus egípcio retratado como um pássaro. Os rouxinóis comuns são encontrados na Europa, Sudoeste Asiático e Norte de África (mas não na América do Norte ou do Sul) e são famosos pela seu belo canto.

Após continuar a pesquisa do asteroide e criar mapas de alta-resolução, o time da OSIRIS-REx irá planejar ensaios para as tentativas de coleta de amostras. A nave espacial deverá partir de Bennu em 2021, e chegar à Terra em 2023.