Suor em excesso pode criar vergonhosas e desconfortáveis poças embaixo do braço. Mas você sua apenas suor. Esta paciente italiana sua sangue.

A paciente de 21 anos se dirigiu ao hospital depois de três anos suando sangue nas palmas e rosto. Ela não possuía corte algum e não se sabia o que iniciava os episódios de suor sanguíneo. A situação da paciente era tão ruim que ela se isolou e desenvolveu sintomas de depressão e síndrome do pânico.

Depois de observar a paciente e tratar a depressão e ansiedade dela, os médicos de Florença a diagnosticaram com “hematidrose”, a rara condição de suar sangue. Mas até os dias de hoje, médicos não sabem dizer o que causa a doença – e alguns céticos dizem que ela sequer existe. Uma analise da pele da paciente não mostrou nada anormal, como pesquisadores apontaram na Canadian Medical Association Journal (CMAJ).

Existe uma longa história de diagnósticos de suar sangue, de acordo com comentários da CMAJ. Menções ao caso datam desde Aristóteles, no século III a.C., e durante a Idade Média. A condição tem tons religiosos, dada sua associação com a relíquia religiosa Véu de Verônica, um tecido impresso com o rosto de Jesus. Ainda assim, análises dos casos continuam, em 2012, um texto de dermatologia afirmou que o transtorno “não foi confirmado cientificamente”, mesmo com os autores do texto não negando sua existência.

Michelle Sholzberg, uma hematologista no Hospital St. Michael, em Toronto, disse a CBC que o caso era “incomum”.

A autora do comentário médico, a historiadora de medicina Jacalyn Duffin, da Universidade de Queen, em Ontario, revisou 42 artigos médicos sobre a condição desde 1880. Ela notou que quase metade destes artigos era dos últimos cinco anos, mas muitos ainda duvidam que o transtorno exista. “Ironicamente, para um mundo cada vez mais secular, a velha associação de hematidrose com mistérios religiosos torna difícil de aceitar sua existência”, escreveu.

Por fim, os cientistas italianos optaram por tratar a paciente com um bloqueador beta-adrenérgico chamado propranolol, já que outros médicos trataram pacientes com essa medicação no passado. A método funcionou, mas não impediu o sangramento por completo.

[CMAJ via CBC]

Imagem de topo: CMAJ