O Acordo de Paris tem uma meta clara: até 2100, a humanidade não pode deixar a média da temperatura no planeta ficar 1,5 ºC acima dos níveis pré-industrialização. O valor parece utópico, afinal, são vistas poucas mudanças para alcançá-lo. 

Mas a pandemia de Covid-19 provou que chegar ao número não é impossível. Como foi apontado em estudo publicado na revista científica Nature Geoscience, as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) caíram 6,3% em 2020. 

Isso é equivalente a uma redução de 2.200 toneladas métricas (MtCO2) – o maior declínio absoluto já visto na história. Para fins de comparação, a redução observada ao final da Segunda Guerra Mundial foi de 814 MtCO2.  

Como destacou o Science Alert, o declínio foi consequência da pandemia, um período bastante negativo para a economia mundial. Com as restrições impostas, houve uma enorme queda na circulação de carros e caminhões, o que contribuiu com quase um terço da diminuição de gases poluentes na atmosfera. 

Claro, não queremos que todas as pessoas do globo voltem a se isolar. Por outro lado, se a maior parte dos carros fossem alimentados por energia renovável, poderiam ser alcançados cortes consideráveis. 

“Se terminarmos [2100] em 1,6°C, é melhor que 1,7°C; se terminarmos em 1,7°C, é muito melhor que 2°C. Se terminarmos em 2°C, é muito melhor em comparação com onde estávamos indo há 20 anos, que era de 5°C”, disse a cientista climática Katharine Hayhoe, da Texas Tech University, à New Scientist.

Um estudo publicado na revista Climate Change sugere que limitar o aumento da temperatura a 1,5 ºC poderia reduzir os impactos econômicos globais em 20% quando comparado a uma alta de 2 ºC. Além disso, cerca de 10% da população mundial seria poupada da malária e da dengue. Escassez de água, estresse térmico, secas e outros problemas também podem ser reduzidos ao frear as mudanças climáticas.