“Pantera Negra 2” e “Adão Negro” devem ter lançamentos barrados na China; entenda

As duas produções devem ser as próximas vítimas das rigorosas regras de censura do mercado chinês, o segundo maior do planeta. Saiba os detalhes dessas decisões
Pantera Negra
Imagem: Reprodução/Marvel/DC

Não é novidade que filmes hollywoodianos enfrentam dificuldade no mercado chinês por conta da censura. Agora, tudo indica que “Pantera Negra: Wakanda Para Sempre” e “Adão Negro” vão  passar por isso também.

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Segundo o The Hollywood Reporter, os longas não devem lançados na China, já que os reguladores de Pequim continuam a reprimir o acesso dos EUA ao segundo maior mercado teatral do mundo.

De acordo com o portal, os responsáveis pela liberação raramente explicam publicamente suas decisões, forçando estúdios e fãs locais a especular e esperar. No entanto, fontes que trabalham na indústria chinesa disseram ao THR que “Pantera Negra 2” e “Adão Negro” têm poucas chances de aprovação.

Um executivo de uma grande rede de cinemas do país disse que sua empresa “parou de esperar” que “Adão Negro” ganhe data de lançamento. O filme estreou nos EUA em 21 de outubro e, tradicionalmente, a China aprova lançamentos do exterior com quatro ou oito semanas de antecedência.

No caso de “Adão Negro”, especula-se que o banimento teria como um dos motivos a participação do ator Pierce Brosnan no filme como o heróico personagem Kent Nelson/Doutor Destino. Por volta de 2020, o artista teria postado uma foto dele e sua família com Dalai Lama, dando os parabéns ao líder espiritual em seu 85º aniversário. O Dalai Lama é visto por Pequim como um separatista perigoso.

Anteriormente, figuras do entretenimento que vão de Lady Gaga a Richard Gere e Keanu Reeves viram seus trabalhos censurados na China por declarações ou gestos anteriores de apoio ao líder. O primeiro filme em três anos da DC a ser exibido no país foi “Batman”, de Matt Reeves. Porém este não é o caso de Adão Negro.

No caso de “Pantera Negra 2”, o banimento não é uma novidade. A Disney recentemente assumiu a posição de não remover conteúdos LGBTQIA+ para apaziguar censores no exterior. O estúdio se recusou a cortar um “momento gay” do live-action “A Bela e a Fera” em 2017 na Maásia. E manteve-se firme em “Lightyear” nos vários mercados onde o filme foi bloqueado, incluindo Arábia Saudita e China.

Nos últimos anos, todos filmes da Marvel foram banidos na China: “Viúva Negra”, “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”, “Eternos”, “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa”, “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” e “Thor: Amor e Trovão” por motivos diversos, que vão desde a apresentação de personagens assumidamente gays ou exaltação de costumes e valores norte-americanos.

“Pantera Negra 2” corre risco por indicar um relacionamento lésbico. Acredita-se que os censores tenham rejeitado o filme devido à breve representação de personagens abertamente gays – neste caso, a guerreira wakandana Aneka (interpretada por Michaela Coel) e a guarda-costas de Dora Ayo (Florence Kasumba).

No passado, os estúdios de Hollywood eram conhecidos por cortar os personagens abertamente gays de seus filmes para apaziguar os censores da China, e assim colher milhões a mais em receita de ingressos. Mas a situação se inverteu.

Vale lembrar que o mercado de cinema chinês é o segundo maior do mundo, o que impacta diretamente na distribuição e bilheteria mundial das produções.

Rayane Moura

Rayane Moura

Rayane Moura, 26 anos, jornalista que escreve sobre cultura e temas relacionados. Fã da Marvel, já passou pela KondZilla, além de ter textos publicados em vários veículos, como Folha de São Paulo, UOL, Revista AzMina, Ponte Jornalismo, entre outros. Gosta também de falar sobre questões sociais, e dar voz para aqueles que não tem

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