De acordo com a Nasa, o universo é composto por 67% de energia escura, 27% de matéria escura e 5% de matéria “normal”. Apesar de saberem que ela existe, os cientistas ainda não conseguem explicar exatamente o que é essa matéria escura. A agência espacial norte-americana inclusive diz saber “mais o que ela não é”. Por isso, esse é um assunto que tem intrigado pesquisadores há muito tempo.

Um estudo recente sugere que a abundância de matéria escura pode ser explicada pela existência de uma partícula hipotética, que também responderia algumas questões sobre partículas subatômicas conhecidas como férmions. O artigo foi publicado na European Physical Journal C e, inicialmente, tinha o objetivo de explicar a possível origem das massas do férmion.

De acordo com os pesquisadores, seria necessária uma “nova física” capaz de fornecer um modelo de universo com uma quinta dimensão para explicar os mistérios das partículas, já que elas poderiam viajar entre as dimensões. Para estudar as massas do férmion, eles utilizaram equações que teorizam uma quinta dimensão e que buscam estudar as implicações que isso teria em nosso universo e realidade.

Durante esse processo, os cientistas propuseram um novo campo escalar associado a uma possível partícula que seria similar ao campo de Higgs, um campo de força que surgiu após o Big Bang, quando o universo esfriou, e é o que dá massa às partículas.

Assim, a equipe acredita que, assumindo que a matéria escura é composta de férmions, que existem em uma dimensão extra, essa partícula pesada hipotética poderia mediar uma nova força conectando a matéria escura à matéria visível, que compõe as estrelas, planetas e tudo o que a astronomia tradicional consegue detectar.

O fato de os modelos da partícula hipotética não entrarem em conflito com evidências observacionais reais da matéria escura e o trabalho matemático dos pesquisadores mostram que essa partícula poderia, de fato, ser uma espécie de mensageira entre as dimensões.

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Com as teorias definidas, resta agora aos cientistas encontrar a partícula. Devido à sua grande massa, no entanto, a equipe diz que pode ser um desafio fazer uma detecção direta dela, o que não impede que ela seja detectada por meios indiretos, como através de ondas gravitacionais, que são perturbações no espaço-tempo.

No futuro, os pesquisadores esperam evoluir o seu conceito de uma quinta dimensão junto com avanços na física de partículas e na cosmologia. Afinal, além de nos ajudar a compreender melhor a matéria escura, a existência dessa partícula poderia fornecer informações sobre o início do universo.

[Vice]