Atenção, a informação a seguir não é uma simulação ou um episódio de Arquivo X: os cientistas do Pentágono realmente enviaram um painel solar do tamanho de uma caixa de pizza para o espaço para testar se é possível recolher eletricidade extraterrestre para a Terra.

Este painel solar é oficialmente chamado de Módulo de Antena de Radiofrequência Fotovoltaica (PRAM, na sigla em inglês) e é projetado para capturar a poderosa luz azul no espaço — ela não passa pela nossa atmosfera. Cientistas da Marinha o lançaram em maio do ano passado, usando um drone misterioso chamado X-37B, que está atualmente circulando a Terra a cada 90 minutos. Por isso, enquanto estava digitando este texto, tive total consciência que existe um pequeno painel solar girando sobre o planeta simplesmente porque o Departamento de Defesa dos EUA quis colocá-lo lá.

De acordo com a CNN, o Pentágono afirmou nesta semana que o seu pequeno experimento, ou melhor dizendo, que o PRAM foi bem-sucedido — a coisa realmente captura energia. Os cientistas descobriram que ele pode gerar até 10 W, o que é suficiente para alimentar um iPad, embora eles ainda não tenham testado a transmissão de volta para a parte da Terra por meio de micro-ondas. Porém, você deve estar se perguntando: quanta energia de combustível fóssil eles gastaram para descobrir isso? Bom, ao que tudo indica foi na base do combustível de aviação, uma vez que o X-37B não utiliza energia eólica.

O próximo passo será o envio de dezenas desses painéis para orbitar a Terra. Os cientistas dizem que se ampliarem o projeto, ele poderá produzir eletricidade suficiente para abastecer uma cidade inteira. Entretanto, pelo que posso dizer, não tem ninguém implorando por esta energia espacial. Eu e os outros 99,9% da humanidade ficaríamos perfeitamente felizes e plenos com a energia solar, eólica e outras fontes limpas geradas aqui na Terra.

Se esses cientistas do Departamento de Defesa conseguirem colocar mais painéis em órbita, não há como dizer para quais fins eles serão usados. Afinal, o Pentágono é a parte menos regulamentada do governo federal dos EUA, e a agência afirma que a tecnologia será capaz de fornecer energia para qualquer parte da Terra. Os responsáveis pelo programa apontam que a sua função pode ser destinada aos locais atingidos por desastres naturais. Todavia, o Departamento de Defesa desenvolveu (ou ajudou a desenvolver) alguns dos principais meios e dispositivos tecnológicos que utilizamos, principalmente a Internet.

Em uma nota publicada, os pesquisadores também dizem que a energia poderá ser fornecida para as bases militares. Outras aplicações que eles listaram incluem manter os navios da Marinha em funcionamento ao redor do oceano, desenvolver combustíveis sintéticos e alimentar drones para continuar “voando indefinidamente”, o que me parece meio assustador.

Vale lembrar que o Departamento de Defesa está por trás da pesquisa de armas de energia dirigida, espionagem por meio de plantas geneticamente modificadas e uma nova forma de modificação do espaço-tempo que “faria a bomba de hidrogênio parecer mais um foguete, em comparação”. Então, perdoe se estou sendo um pouco cética. Mas, talvez eu esteja errada, e tudo isso seja uma manobra para levar energia gratuita para países onde os militares dos EUA destruíram a rede elétrica.

No mínimo, o PRAM é uma coisa bem estranha para gastar recursos, mesmo para uma agência com o maior orçamento do governo estadunidense. Para ser franca, não sei quanto custou para lançar o PRAM, mas como um desenvolvedor de projeto disse à CNN, “construir hardware para o espaço é caro”. Então, basicamente, as autoridades dos EUA não vão propor um Green New Deal para combater as mudanças climáticas ou mesmo aumentar a implantação da tecnologia de energia renovável, que já temos e que traria enormes benefícios. Mas tudo bem termos dinheiro para gastar em testes de painéis de caixas mágicas de pizza em espaço sideral? Hum, entendi.