Hoje é dia de Google I/O, e a Bloomberg Businessweek publicou um perfil de Sundar Pichai, responsável pelas áreas do Android e Chrome. Ele será o mestre de cerimônias do evento, que reunirá 6.000 desenvolvedores, e revela o que o futuro reserva para o robozinho – além de rebater críticas feitas pela Apple.

O que veremos no Google I/O? Pichai adianta: um dos destaques será a próxima versão do Android. Ela será lançada só no final do ano, mas o executivo do Google diz: “eu quero que o mundo entenda mais cedo o que estamos fazendo”. Isso pode ser bom para as fabricantes, que querem maior transparência.

Também veremos mais novidades sobre o Android Wear, sistema operacional para dispositivos vestíveis – isso inclui novos parceiros e novos smartwatches. E será revelada oficialmente a Android TV, de acordo com uma fonte anônima.

Contra a Apple

Em entrevista à Bloomberg Businessweek, Pichai também responde a algumas acusações feitas por Tim Cook durante a WWDC este mês. Sobre os dispositivos rodarem versões antigas do Android, sem as novidades mais recentes, ele diz:

… o que a Apple faz e o que nós fazemos são coisas diferentes… Nós distribuímos uma versão nova do Google Play Services a cada seis semanas. Normalmente, 90% dos usuários estão na nova versão… a Apple anunciou muitas coisas boas em sua keynote. Eles também anunciaram coisas que fizemos no Android há quatro ou cinco anos, [como] teclados alternativos, notificações mais ricas e widgets.

Cook também disse que o Android é um “cozido tóxico e infernal de vulnerabilidades” (eita). Pichai ficou na defensiva, sem dar uma resposta direta:

Quando você faz um carro de US$ 100.000 da Mercedes, é preciso ter cuidado para não olhar para o resto da indústria automotiva e fazer comentários sobre ela… A história mostra tipicamente que o malware é direcionado para o sistema operacional mais popular. Então, tem isso aí também.

Ele também lembra que o Android agora escaneia apps frequentemente para verificar se eles têm malware, além de fazer o mesmo na Play Store.

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Perfil

De um jeito ou de outro, provavelmente nem mesmo Sundar Pichai imaginaria que ele estaria hoje no alto comando do Google. Ele é indiano nascido em Chennai, filho de um engenheiro elétrico e uma estenógrafa. Eles tinham uma vida simples: a família morava em um apartamento pequeno, e Pichai dormia com o irmão na sala.

O rapaz era estudioso e conseguiu uma vaga para estudar engenharia no Instituto Indiano de Tecnologia. Depois de se formar, ele conseguiu uma bolsa de estudos para a prestigiada Universidade Stanford. O pai dele sacou o equivalente à renda anual dele para pagar a passagem aos EUA e outros gastos.

Pichai planejava conseguir um Ph.D. em Stanford e seguir carreira acadêmica, mas largou o curso para trabalhar como engenheiro no Vale do Silício. Ele então tirou MBA na famosa Wharton School of Business, trabalhou como consultor, mas decidiu tentar a sorte no Google.

Google

Curiosamente, a entrevista de Pichai ocorreu no mesmo dia em que o Gmail foi lançado; algo que confundiu todo mundo, até ele, porque muitos achavam ser uma pegadinha de Primeiro de Abril.

O executivo liderou a ideia de que o Google deveria criar um navegador web; apesar do ceticismo inicial de Eric Schmidt, então CEO da empresa, o projeto avançou e o Chrome é um dos navegadores mais usados no mundo.

O Chromebook também é ideia de Pichai. Apesar de parecer absurdo quando lançado em 2011, hoje ele tem uma grande participação de mercado: 21% dos laptops vendidos no ano passado nos EUA eram Chromebooks. Com estes laptops, Pichai aprendeu a trabalhar em parceria com outras empresas, tanto fabricantes como varejistas – isso seria crucial para comandar o Android.

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Android

Andy Rubin é o criador do Android, uma empresa que ele fundou em 2003 e vendeu ao Google dois anos depois. Mas fabricantes diziam que Rubin era “maquiavélico e difícil de se trabalhar”; funcionários do Google diziam que “era mais fácil trabalhar com a rival Apple do que com [a equipe do] Android”.

À medida que o Android cresceu, Rubin tentou isolar cada vez mais sua divisão do restante do Google – e de outras empresas. Claramente este não era o caminho para o sucesso, e tentativas de fazer o Android vingar em outras plataformas – tablets e smart TVs – não deram muito certo.

No início de 2013, o CEO Larry Page pediu que Rubin integrasse o Android ao restante do Google. Alguns meses depois, ele deixou a chefia do robozinho e foi trabalhar em uma divisão de robótica dentro da empresa.

De braços abertos

Pichai, então, assumiu o cargo e começou a abrir portas com outras equipes da empresa. Por exemplo, ele aumentou a cooperação entre a equipe de buscas e os responsáveis pelo Google Now.

Ele também se aproximou da Samsung, que estava personalizando demais o Android, praticamente substituindo todos os serviços do Google pelos seus próprios. Depois de visitas à Coreia e muitas “conversas francas”, o Google virou a melhor amiga da Samsung.

Ou quase: a coreana ainda desenvolve o Tizen, concorrente do Android, e anunciou este ano seu primeiro smartphone com o sistema. Sobre isso, Pichai diz: “eu vejo o Tizen como uma escolha que as pessoas podem ter. Nós precisamos garantir que o Android seja a melhor escolha”.

O perfil completo de Pichai está aqui: [Businessweek]

Fotos por Sam ChurchillNiall Kennedy e Pierre Lecourt/Flickr