Há 66 milhões de anos, o planeta Terra teve um dia terrível quando um asteroide de quase 10 km de extensão atingiu a península de Iucatã, no México, desencadeando uma série de eventos que dizimou os dinossauros. Em poucas semanas, uma expedição científica vai escavar o coração da cratera Chicxulub pela primeira vez, para saber mais sobre a natureza deste desastre.

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O asteroide liberou uma energia equivalente a 1 bilhão de vezes o efeito da bomba de Hiroshima, e causou uma extinção em massa de espécies do planeta. No entanto, os restos do asteroide passaram décadas sem uma análise cientifica — parte disso ocorreu pois a região estava interditada pela indústria petrolífera.

Felizmente, no ano passado, uma equipe da Universidade do Texas em Austin recebeu US$ 10 milhões para executar um plano de perfuração marítima, que fará uma ponta de diamante chegar a mais de 1.500 metros abaixo do fundo do mar para alcançar o fundo da cratera e coletar amostras.

Como explica o Science News, a equipe planeja perfurar o “peak ring” do Chicxulub, um anel topográfico mais elevado ao redor do centro da cratera. Os cientistas ainda não têm certeza de como essas áreas são formadas, ou de como são feitas — essas são algumas das questões que os cientistas esperam responder com a expedição.

Mas as questões em aberto mais bacanas estão relacionadas à vida na Terra quando esta grande rocha especial colidiu em nossa superfície. Os cientistas ainda não têm certeza se apenas o impacto em Chicxulub sozinho levou à extinção dos dinossauros, ou se outras forças geológicas tiveram um papel nisso também.

Um estudo recente defende que a energia contida na crosta do asteroide durante o impacto fez com que vulcões de todo o mundo fossem acionados, transformando a atmosfera em uma sujeira tóxica por quase 500 mil anos. Outros citam que os causadores da morte foram destroços de terremotos e tsunamis.

Amostras geológicas recolhidas durante a perfuração podem nos ajudar a reconstituir este capítulo violento da história da Terra. Elas também vão nos ajudar a entender como a vida voltou ao normal após o apocalipse. A equipe planeja estudar microrganismos vivos achados nas rochas do anel topográfico, que provêm das pequenas criaturas que colonizaram nosso planeta após o impacto. É possível que este cemitério nos ajude a conhecer incríveis novas formas de vida.

Nós deveremos ter respostas em breve: o processo de perfuração está agendado para começar até o final de março, e durar dois meses.

[Science News]

Crédito da imagem do topo: NASA Goddard Spaceflight Center/Flickr